Crédito no Brasil fica estável em abril com alta entre empresas e queda para famílias

Publicado em 28/05/2020 11:20

BRASÍLIA (Reuters) - O estoque total de crédito no Brasil ficou estável em abril sobre março, a 3,587 trilhões de reais, o equivalente a 49,2% do Produto Interno Bruto (PIB), divulgou o Banco Central nesta quinta-feira, com a retração entre as famílias ofuscando a alta observada entre as empresas.

Segundo os dados do BC, o saldo de financiamentos às pessoas físicas caiu 0,9% sobre o mês anterior, enquanto entre as pessoas jurídicas houve aumento de 1,2%.

Refletindo o esfriamento da economia por conta da pandemia de Covid-19, o estoque de crédito para as famílias na modalidade cartão de crédito à vista caiu 13,9% em abril ante março. Também caíram os estoques no cheque especial (-3,8%) e aquisição de veículos (-1,5%).

Já entre as empresas, o destaque no crédito livre em abril ficou com a alta observada em capital de giro (+8,8%), em financiamentos a exportações (+6,3%) e em adiantamentos sobre contratos de câmbio (+4,2%).

Nos quatro primeiros meses do ano, a alta geral do crédito no país foi de 3,1% e, em 12 meses, de 9,6%.

Em março, o BC previu um aumento no crédito no Brasil de 4,8% em 2020, mas num cenário que considerava

um crescimento zero para a economia. A próxima revisão de PIB pelo BC será feita em junho, mas as indicações são de que a estimativa irá para o terreno negativo diante dos profundos impactos da crise do coronavírus na demanda por bens e serviços. [nE6N2BD00D]

A conta do Ministério da Economia é, por ora, de uma contração de 4,7% para a atividade econômica neste ano.

Em relação ao custo dos financiamentos, a taxa média de juros no segmento de recursos livres, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, caiu a 31,3% ao ano em abril frente a 33,3% em março.

Já o spread bancário no mesmo segmento recuou a 26,2 pontos percentuais, ante 27,6 pontos no mês anterior.

A inadimplência, por sua vez, subiu a 4,0%, ante 3,8% em março.

Empresas, especialmente de pequeno porte, têm reclamado ao governo que há demora e aversão dos bancos à liberação de crédito para manutenção dos seus negócios em meio à pandemia.

O governo já sancionou lei que criou o Pronampe, programa de garantia do Tesouro para crédito às micro e pequenas empresas, mas a iniciativa ainda precisa ser regulamentada para efetivamente começar a valer.

(Por Marcela Ayres)

Fonte: Reuters

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