BC está vigilante com efeitos anticoncorrenciais ligados a maquininhas e auxílio emergencial, diz diretor

Publicado em 05/06/2020 14:35

O diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, João Manoel de Mello, afirmou nesta quinta-feira que o BC está extremamente vigilante quanto a possíveis efeitos anticoncorrenciais relacionados à bandeira de cartões Elo e ao auxílio emergencial.

Caixa Econômica Federal e Elo definiram que Cielo e GetNet são as empresas de maquininhas de cartão que inicialmente aceitam o pagamento de compras por meio do Caixa Tem, aplicativo do auxílio emergencial pago pelo governo de 600 reais. A Rede aceitará a partir do dia 8 deste mês e, do dia 10 em diante, a possibilidade será aberta às demais credenciadoras.

As três primeiras empresas são controladas por grandes bancos: a Cielo pelo Banco do Brasil e Bradesco, a GetNet pelo Santander, e a Rede pelo Itaú.

"É importante lembrar que nós estamos num momento de pandemia e isolamento social, algumas medidas são tomadas inclusive para evitar aglomerações e por isso a urgência de colocar meio de pagamento para distribuição do benefício que evite aglomerações", afirmou Mello.

"Dito isso, estamos extremamente vigilantes e o mais rapidamente esse arranjo de pagamento dará acesso o mais simétrico possível a todos os credenciadores de estabelecimentos comerciais", acrescentou.

O diretor disse ainda que o BC já agiu em relação ao tema ao editar a circular 4020, que toma previdências exigindo a simetria competitiva no caso.

"Enquanto ela não vier, (a circular) estabelece limites de preços nos três elos da cadeia", afirmou.

A Elo, por sua vez, informou que não houve definição por parte da empresa ou da Caixa que as credenciadoras seriam somente Cielo, GetNet e Rede, mas que estas foram as empresas a apresentar soluções que cumpriam os pré-requisitos necessários em termos tecnológicos, de prazo para implementação e que podiam ser estendidos às demais empresas.

"Assim, elas puderam habilitar sua plataforma para integrar a primeira fase de execução do projeto. A Elo reitera que a solução que será implementada a partir de 10/06 também é aberta a todas as credenciadoras", disse.

A Elo destacou ainda que o amplo acesso a credenciadoras era não só desejável, como uma premissa central do desenho buscado.

Dentre as credenciadoras que não têm bancos como sócios, estão nomes como Stone e PagSeguro.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Marinha do Irã afirma ter “controle total” sobre Estreito de Ormuz
Ibovespa amplia série de altas com ajuda da Petrobras, apesar de Warsh
Trump promete medida para acabar com "monopólio nocivo" no setor de processamento de alimentos
Irã apela a países que não apliquem novas sanções dos EUA; mediadores se concentram na reabertura de Ormuz
BC avalia travas para conter endividamento das famílias antes de teto para comprometimento da renda
Brasil abre menos vagas formais de trabalho do que o esperado em julho, com menor saldo mensal do ano