Premiê da China diz que UE é parceira, apesar das tensões

Publicado em 22/06/2020 11:57

A China e a União Europeia (UE) são mais parceiras do que concorrentes, disse nesta segunda-feira o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, conforme os dois lados tiveram sua primeira negociação formal desde que os laços azedaram devido a acusações de que Pequim espalhou desinformação sobre o novo coronavírus.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel --o principal executivo e chair da UE-- realizaram uma videoconferência com Li, seguida por outra com o presidente Xi Jinping.

Li expressou otimismo, de acordo com a mídia estatal chinesa.

A União Europeia, que chamou Pequim de rival sistêmica, negocia um acordo de investimento com a China desde 2014, com ambas as partes expressando desejo no ano passado de concluir negociações em 2020.

Autoridades da UE dizem que querem ver movimentos em áreas como automóveis, biotecnologia e microeletrônica e esclarecer questões de subsídios estatais a transferências forçadas de tecnologia. Bruxelas diz que os mercados da UE estão em grande parte abertos, por isso a China deve se movimentar mais.

"O que é necessário para romper o impasse é o engajamento em alto nível político e é isso que, esperamos, a cúpula de hoje providencie", disse uma autoridade da Comissão Europeia.

As cúpulas geralmente produzem declarações conjuntas, mas nenhuma é esperada na reunião desta segunda-feira.

Li disse que a China está disposta a aprofundar a cooperação com a UE no desenvolvimento de uma vacina e tratamento para combater o Covid-19.

REUNIÃO DE SETEMBRO ADIADA

Autoridades da UE dizem que a China tentou pressionar países do bloco que criticaram sua forma de lidar com o novo coronavírus, usando a mídia social para espalhar relatos falsos de negligência europeia contra pacientes com Covid-19. Pequim negou irregularidades.

Mesmo antes da pandemia, os dois parceiros comerciais tinham diferenças, incluindo Hong Kong e o pacto de investimento.

A UE também enfrentou pressão dos EUA para adotar uma postura mais rígida sobre a China. O bloco está preso entre os dois poderes --necessitando de ambos e relutante em dispensar qualquer um.

A Alemanha adiou a cúpula de líderes da UE com Xi em setembro, citando o coronavírus, embora diplomatas tenham dito que isso ocorreu em parte por causa do impasse nas negociações sobre investimentos.

Fonte: Reuters

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