Renault planeja demitir 800 funcionários da fábrica do paraná

Publicado em 18/07/2020 17:53

A Renault quer cortar 800 vagas na fábrica de São José dos Pinhais (PR) em razão da baixa produção decorrente da queda do mercado de veículos provocada pela crise da pandemia do coronavírus. A empresa emprega 7,3 mil trabalhadores e propôs um Plano de Demissão Voluntária (PDV) que foi recusado em assembleia dos funcionários realizada na sexta-feira, 17.

Os trabalhadores consideraram que os incentivos oferecidos pela montadora não são atrativos. A Renault oferece o pagamento de 3,5 a seis salários extras dependendo do tempo de contrato do funcionário (incluindo dois meses de benefício da MP 936), plano médico por um ano e vale mercado até dezembro, além da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Para os funcionários que permanecerem na fábrica a proposta de data-base é suspensão de reajustes neste ano e no próximo, com pagamento de abono de R$ 3,5 mil, entre outros itens.

"A proposta é ruim para quem sai e para quem fica", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka. Na assembleia foi dado prazo até quarta-feira para que a montadora negocie uma nova proposta.

"A Renault está se aproveitando do momento para tirar vantagem e nós temos de resistir", disse. "Se a empresa quer adesões tem de ter um incentivo de verdade, pois o que está oferecendo é muito pouco". A montadora, contudo, afirma que se não conseguir as adesões, fará cortes aleatórios e o sindicato promete greve se isso ocorrer.

Queda de 45% na produção

O setor automotivo prevê queda de 45% na produção de veículos este ano em relação a 2019, para 1,63 milhão de unidades, previsão que, no início do ano era de 3 milhões de unidades. Em junho, a Nissan - parceira da Renault na aliança global Renaul/Nissan - demitiu 400 pessoas da fábrica de Porto Real (RJ).

Na fabricante de caminhões Volvo, de Curitiba (PR), cerca de 2,7 mil trabalhadores aceitaram no mês passado proposta de PDV similar à apresentada pela Renault, mas que não continha número esperado de adesões. Todas as montadoras afirmaram estar com excesso de pessoal e novos cortes devem ocorrer principalmente após o fim do programa instituído pela MP 936, que permite redução de jornada e salários e suspensão de contratos de trabalho, com parte dos salários bancada pelo governo. A primeira fase do programa venceu neste mês e foi estendida por mais um mês.

 

Fonte: Estadão Conteúdo

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Crescimento do PIB dos EUA no 4º tri é revisado para baixo a 0,5%
Ibovespa avança puxado por Petrobras com Oriente Médio no radar
Irã não permitirá que mais de 15 embarcações passem pelo Estreito de Ormuz por dia, diz fonte iraniana a agência
Dólar segue estável com mercado monitorando cessar-fogo entre EUA e Irã
Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA sobem, mas permanecem em níveis baixos
Galípolo diz que BC não negocia seu mandato e defende completar processo de autonomia