Dólar abandona mínimas acompanhando exterior em dia de dados macro locais

Publicado em 10/09/2020 15:21

O dólar abandonou queda moderada de mais cedo e rondava estabilidade ante o real nesta terça-feira, acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior, em dia de atenção dos mercados à visão do Banco Central Europeu (BCE) sobre o comportamento do euro, enquanto investidores analisavam dados domésticos sobre inflação e vendas no varejo.

Às 14h39, o dólar tinha variação negativa de 0,05%, a 5,2973 reais na venda. O contrato mais líquido de dólar futuro perdia 0,25%, a 5,2975 reais, ante piso intradiário de 5,2725 reais.

O dólar ainda caía 0,1% ante uma cesta de moedas, mas deixou para trás a mínima da sessão, quando recuou quase 0,6%. O euro subia 0,5%, metade da alta de 1% registrada mais cedo, quando o mercado reagiu a declarações da presidente do BCE, Christine Lagarde, minimizando especulações de que o BCE estivesse incomodado com a valorização do euro e que poderia agir de forma iminente para conter os ganhos da moeda única.

A maioria dos pares emergentes do real --como peso mexicano, rand sul-africano, peso chileno e peso colombiano --perdiam terreno ante o dólar, depois de altas mais cedo na sessão.

"As divisas já haviam ganhado bastante ontem, e a valorização da manhã pode ter suscitado um movimento de realização nas moedas emergentes", explicou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, que também citou temores sobre o Brexit e a demora nas negociações de um novo pacote de estímulo nos EUA como fatores que limitavam o apetite por risco nos mercados internacionais.

O dólar chegou a cair 0,57% na mínima do pregão, a 5,2699 reais, na esteira do terceiro mês seguido de aumento nas vendas no varejo, que tiveram o melhor julho da série histórica, iniciada em 2000.

"Acho que esses dados de varejo surpreenderam positivamente, mostrando que a economia brasileira está se recuperando fortemente, o que favorece o real", explicou à Reuters João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.

Dados melhores da economia respaldam expectativas de que os juros não caiam mais --o que melhora a atratividade do real para operações com arbitragem de taxas de juros ("carry trade"). Além disso, uma economia em retomada tende a aumentar o interesse de players estrangeiros por investimentos no Brasil, o que se traduziria em maior fluxo de capital, elevação da oferta de dólar e consequente queda do preço da moeda.

Diante dos dados econômicos recentes, alguns analistas voltavam as atenções para a inflação brasileira, com o dólar em patamares elevados sendo apontado como impulso a alguns preços domésticos.

Números da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados nesta quinta-feira mostraram que os preços no atacado dispararam para o maior nível em 26 anos na primeira prévia de setembro, levando o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) a acelerar a alta para 4,41%.

"O que presenciamos agora é o 'rebound' (impulso) do proposto câmbio alto (...) na inflação brasileira, já que estimular fortemente as exportações agrícolas e pecuárias repercute internamente nos preços dos alimentos de forma imediata e repõe ao cenário brasileiro o processo inflacionário, perceptível nas redes distribuidoras", escreveu Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora.

Na última sessão, a moeda norte-americana à vista havia registrado queda de 1,23% contra o real, a 5,3000 reais na venda.

Neste pregão, o Banco Central fez leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em março e julho de 2021, em que vendeu o total da oferta.

Fonte: Reuters

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