Lava Jato lança nova fase para investigar contratos da Petrobras com fornecedores

Publicado em 23/09/2020 09:56

Uma nova fase da operação Lava Jato lançada nesta quarta-feira cumpriu 25 mandados de busca e apreensão com o objetivo de aprofundar investigações sobre "possíveis atos de corrupção e lavagem de dinheiro" em contratos entre a Petrobras e fornecedores, disse o Ministério Público Federal (MPF).

São alvos da apuração, que teve ações localizadas em Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Sergipe, acordos assinados em 2011 entre a estatal brasileira e a Sapura, joint venture local entre as multinacionais Seadrill e Sapura Energy.

O MPF disse que apura "indícios" de que a Sapura teria contratado "intermediários e operadores financeiros" para entrar em leilões da Petrobras e obter informações privilegiadas de dentro da estatal mediante pagamento de "1,5% do valor dos contratos a título de propina".

Os procuradores, que disseram que as medidas da operação também atendem pedidos de cooperação jurídica internacional, apontaram que extratos bancários teriam mostrado transferência de valores para executivos da Sapura, um deles da Sapura no Brasil e outro ligado à Sapura Energy, na Malásia.

Também teriam sido identificadas, com base em documentos, "suspeitas de que a atuação ilícita dos investigados tenha abrangido também outros contratos da Petrobras, também em favor dos interesses do Grupo Seadrill", acrescentou o MPF.

Procuradas, Sapura, Sapura Energy e Seadrill não responderam de imediato a pedidos de comentário, assim como a Petrobras.

A estatal tem defendido que foi vítima das irregularidades descobertas pelas autoridades nas investigações da Lava Jato.

Entre os contratos no alvo do MPF estão alguns celebrados em 2011 pela Sapura com a Petrobras para fornecimento de três navios lançadores de linha, ainda vigentes, totalizando 2,7 bilhões de dólares, segundo comunicado do órgão.

Os procuradores federais dizem que foram encontradas contas dos investigados em pelo menos seis países diferentes.

"O trabalho de investigação reforça a importância da cooperação jurídica internacional em uma via de mão dupla: os elementos obtidos no exterior foram importantes para a formulação dos pedidos e o Brasil, novamente, assume uma postura cooperativa cumprindo pedidos de auxílio direto por autoridades estrangeiras”, disse o procurador Marcelo Ribeiro, em nota.

Alvo da operação, a Sapura tem sede no centro da cidade do Rio de Janeiro, com presença também em Caxias, Macaé e Vitória, segundo informações do site da empresa, especializada em serviços submarinos. Os acionistas da companhia, Seadrill e Sapura Energy, atuam em mais de 20 países.

Fonte: Reuters

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