BofA descarta corte adicional na Selic neste ano após divulgação de IPCA

Publicado em 09/10/2020 16:33

O Bank of America elevou nesta sexta-feira sua perspectiva para a inflação neste ano, ao mesmo tempo que passou a descartar corte adicional na taxa básica de juros, prevendo que ela seguirá em 2% até o fim de 2020.

"Esperamos agora que a taxa Selic permaneça estável e termine este ano em 2,00% (de 1,75% antes) dadas as pressões inflacionárias mais altas que reduzem o espaço para outro corte em nossa visão", escreveram o chefe de economia e estratégia para o país do BofA, David Beker, e a economista para Brasil e Chile do banco, Ana Madeira.

Para a inflação medida pelo IPCA, a expectativa subiu a 2,7%, contra 2% antes, em função da recente alta nos preços dos alimentos e dos riscos de uma recuperação econômica mais rápida até o final deste ano.

Mesmo com o ajuste, o percentual segue bem abaixo da meta oficial para o IPCA neste ano, que é de 4,0%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ressaltaram eles.

"No médio prazo, ainda esperamos um cenário inflacionário benigno, devido ao grande hiato do produto e à folga do mercado de trabalho", assinalaram.

O IPCA teve em setembro a maior alta para o mês desde 2003, de 0,64%, pressionado pelo aumento dos preços de alimentos, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos 12 meses até setembro, o IPCA acumulou alta de 3,14%, frente a 2,44% nos 12 meses até agosto. A inflação do mês veio acima das expectativas de analistas, que previam aumento de 0,54% em setembro sobre agosto e de 3,03% em 12 meses.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição