Amarramos a mão de propósito com o forward guidance e ele está funcionando, diz diretor do BC

Publicado em 18/11/2020 12:10

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou nesta quarta-feira que a autoridade monetária amarrou a mão de propósito quando lançou mão da orientação futura (forward guidance), pela qual se comprometeu a não elevar os juros desde que algumas condições fossem satisfeitas.

"A gente amarrou a mão de propósito com o forward guidance", disse ele, em live promovida pelo jornal Valor Econômico.

Segundo Serra, a medida veio pela percepção de era necessário gerar mais estímulo monetário entendendo que o nível da taxa de juros na reunião do Copom de agosto --quando a Selic foi reduzida de 2,25% para 2%-- não seria capaz de entregar a inflação na meta no horizonte relevante, conforme mandato do BC.​​

"A gente precisava de instrumento adicional. E amarrar a mão faz parte da forma como o forward guidance é utilizado não só no Brasil, como em outros lugares. Foi intencional", disse.

Serra afirmou ainda que há aproximação do IPCA do centro da meta de inflação em 2020, o que é sempre desejável, e que a inflação para 2021 voltou a caminhar na direção correta, embora "ainda longe e distante do centro da meta".

"O que a gente tem até agora é que forward guidance está prestando serviço que a gente gostaria que ele prestasse, e as cláusulas dele estão de pé: regime fiscal de pé, expectativa longa ancorada de pé", afirmou.

"Então ele vai sair automaticamente do jogo quando as nossas projeções e expectativas de mercado se aproximarem do centro da meta no horizonte relevante", completou.

Fonte: Reuters

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