Brasil capta US$2,5 bi em emissão externa com forte demanda

Publicado em 03/12/2020 08:51

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo levantou 2,5 bilhões de dólares em uma emissão no mercado externo nesta quarta-feira que envolveu a reabertura de títulos de 5 anos (Global 2025), 10 anos (Global 2030) e 30 anos (Global 2050), com redução do prêmio dos papéis na primeira vez que o país realiza uma oferta com três tranches.

A operação marca o retorno do país ao mercado externo após emissão de 3,5 bilhões de dólares feita no início de junho, quando foram colocados dois papéis novos: o Global 2025 e o Global 2030.

De lá para cá, houve redução significativa do prêmio de risco associado ao país e o Tesouro aproveitou o que chamou de última janela de oportunidade do ano para voltar a oferecer títulos de longo prazo.

"Houve forte demanda pelos títulos ofertados no mercado externo, superando a oferta em mais de 3 vezes", disse o Tesouro em mensagem à imprensa.

"Com o sucesso da operação, o Tesouro diversifica as fontes de captação e a base de investidores, contribuindo para o alongamento do prazo médio da dívida pública. Adiciona ainda volume aos benchmarks de 5, 10 e 30 anos, a taxas mais atraentes que as emissões originais, favorecendo a liquidez ao longo de toda a curva de juros soberana em dólar no mercado externo", completou.

Segundo o Tesouro, foram emitidos desta vez 500 milhões de dólares do Global 2025, com taxa de retorno para o investidor de 2,2%, ante 3% em junho, menor patamar já obtido pelo país em colocações em dólares. O spread foi de 177,9 pontos-base acima da Treasury (título do Tesouro norte-americano) e preço de 102,873% do seu valor de face.

Já em relação ao Global 2030, a emissão foi de 1,25 bilhão de dólares, com taxa de retorno de 3,45%, contra taxa de 4% de junho. Nesse caso, o Tesouro destacou que o spread ficou 250,1 pontos-base acima da Treasury, com preço de 103,421% do seu valor de face.

Finalmente, foram emitidos 750 milhões de dólares do Global 2050, com taxa de retorno de 4,5%, sobre 4,914% da emissão original, resultando em um spread de 279,2 pontos-base acima da Treasury e preço de 103,995% do seu valor de face.

De acordo com o Tesouro, esta foi a menor taxa já obtida pelo Brasil em títulos de 30 anos.

Segundo o IFR, serviço de informações financeiras da Refinitiv, a taxa de retorno ficou na parte superior da orientação de cerca de 2,25%, 3,50% e 4,55% (+/- 5 pontos-base), respectivamente, considerando a colocação dos três vencimentos. A liquidação financeira da operação, que foi liderada pelos bancos Citibank, Santander e ScotiaBank, ocorrerá em 8 de dezembro.

O Tesouro afirmou que a investida teve como objetivo dar continuidade à estratégia de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, provendo referência para o setor corporativo. A antecipação do financiamento de vencimentos com os recursos levantados também estava na mira do Tesouro.

A operação vem num momento de menos volatilidade no mercado na comparação com a emissão externa feita em junho: na época, o custo de proteção contra calote da dívida brasileira, medido por Credit Default Swaps (CDS) de cinco anos, estava em torno de 219 pontos básicos.

Nesta quarta-feira, o patamar era de cerca de 155 pontos. A melhoria em relação à percepção de risco tem ocorrido em meio à volta dos fluxos de estrangeiros para o país e diante de um maior otimismo global com notícias favoráveis sobre vacinas contra a Covid-19.

Mais recentemente, sinais de que o governo pretende retomar a agenda de reformas pós-eleições também melhoraram o humor, apesar de incertezas persistentes sobre o teto de gastos em 2021.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar volta a cair em meio a fluxo estrangeiro para o Brasil
Taxas dos DIs caem em novo dia favorável para os ativos brasileiros
Índice STOXX 600 fecha em alta, mas incerteza comercial persiste
EUA querem manter acordo comercial com UE, afirma chefe de comércio europeu
Governo Trump está trabalhando para elevar tarifa temporária de 10% para 15%, afirma autoridade
Wall Street sobe após Anthropic anunciar novas ferramentas de IA; preocupações com tarifas persistem