UNICA: Leilões de energia representam oportunidades para o setor

Publicado em 09/12/2020 13:07

O anúncio da realização de quatro leilões em 2021 para a contratação de novos projetos de geração de energia elétrica, feito ontem pelo Ministério de Minas e Energia (MME), representa uma oportunidade para o setor sucroenergético. O cronograma possibilita o início do planejamento dos projetos de investimento em geração a serem inscritos nos certames.

O último leilão em que a biomassa da cana participou foi o A-6, realizado em outubro de 2019, juntamente com empreendimentos hidrelétricos, eólicos, fotovoltaicos e termelétricas a gás natural e biomassa em geral. Na oportunidade, o gás natural foi a fonte que mais comercializou energia no A-6, de 2019, levando sozinho 40% da demanda total com três projetos. Os projetos de bioeletricidade da cana representaram apenas 4% da demanda contratada, com seis projetos. 

“O resultado dos leilões poderia ser diferente se fosse levado em conta o caráter sustentável da biomassa, de evitar a emissão de gases de efeito estufa. Contudo, o modelo de contratação nos leilões ainda é míope quanto a vários atributos das fontes e, espera-se, que seja aprimorado nos próximos anos”, comenta Zilmar Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Os leilões de energia nova têm como finalidade atender ao aumento de carga das distribuidoras de energia elétrica e possibilitam a venda e a contratação de energia de usinas que ainda serão construídas e/ou ampliadas, no caso da biomassa. Esses leilões podem ser de vários tipos: A-6 (usinas que entram em operação comercial em até seis anos), A-5 (em até 5 anos), A-4 (em até 4 anos) e A-3 (em até três anos).

De acordo com a portaria divulgada ontem, em 2021, está prevista a promoção dos Leilões de Energia Nova A-3 e A-4, a serem realizados em junho de 2021, e dos Leilões de Energia Nova A-5 e A-6, a serem realizados em setembro de 2021. Para 2022 e 2023 estão previstos apenas os Leilões A-4 e A-6, em abril e setembro de cada ano.

O MME também determinou oficialmente o cancelamento dos leilões de energia nova em 2020, cuja postergação havia sido estabelecida em março por conta da pandemia de Covid-19.

Leilões de energia existente também agendados

Também ontem foi divulgada a Portaria MME nº 436 propondo a realização de Leilões de Energia Existente de 2021 a 2023. Em 2021, serão promovidos os Leilões de Energia Existente A-4 e A-5, a serem realizados em junho, e A-1 e A-2, a serem realizados em dezembro.

“Seria importante o biogás poder participar desses leilões A-4 e A-5, porém, a princípio, apenas projetos termelétricos a gás natural e a carvão mineral nacional poderão entrar no páreo. Esses leilões serão relevantes porque permitirão a participação de empreendimentos novos e retrofits das usinas existentes, que é o caso de diversos projetos no setor sucroenergético”, avalia Souza. “Precisamos garantir que fontes sustentáveis também entrem nesses certames, ampliando a sustentabilidade da nossa matriz”, complementa. 

Os leilões de energia existente foram criados para contratar energia gerada por usinas já construídas e que estejam em operação, objetivando atender a demanda do mercado das distribuidoras de energia elétrica.

Fonte: UNICA

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição