Lewandowski vota a favor de restrições para quem não se vacinar contra Covid-19

Publicado em 16/12/2020 19:24

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, relator de ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) sobre a vacinação contra a Covid-19, votou a favor da obrigatoriedade da imunização, mas ressaltou que ninguém pode ser forçado a se vacinar, embora considere possível a imposição de restrições a quem se recusar, desde que estabelecidas em lei.

No voto, proferido por ocasião de julgamento iniciado nesta quarta-feira no Supremo, o ministro lembrou que tais limitações a quem não se vacinar poderão ser, inclusive, definidas por Estados e municípios, dentro de suas atribuições.

"A vacinação compulsória não significa vacinação forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário, podendo, contudo, ser implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes", disse o relator no voto.

"Tais medidas, com as limitações acima expostas, podem ser implementadas tanto pela União como pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitadas as respectivas esferas de competência", acrescentou.

Lewandowski afirmou, ainda, que as vacinas precisam ter como base "evidências científicas" e "análises estratégicas", terem suas informações sobre segurança, eficácia e contraindicações amplamente divulgadas, e respeitarem a dignidade humana e os direitos fundamentais.

Ao votar pela parcial procedência das ADIs, o ministro também destacou que os imunizantes precisam ser distribuídos de maneira universal e gratuita.

O julgamento no STF trata de duas ações. Na primeira, o PDT pede o reconhecimento da competência de Estados e municípios para determinar a vacinação compulsória durante a pandemia, enquanto na segunda o PTB pede que o STF declare inconstitucional a compulsoriedade.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não irá se vacinar contra a Covid-19, mas deixou claro que o Ministério da Saúde irá comprar qualquer imunizante aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fonte: Reuters

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