Mercados emergentes sofrerão maior impacto dos cortes de rating soberano em 2021, diz S&P Global

Publicado em 27/01/2021 08:51

Por Marc Jones

LONDRES (Reuters) - Os programas de compra em massa de títulos do governo pelo Banco Central Europeu, Federal Reserve e outros bancos centrais protegerão as classificações de crédito da maioria das economias desenvolvidas neste ano, mas as nações mais pobres não terão tanta sorte, afirmou a S&P Global.

A crise do coronavírus deve elevar as relações dívida/Produto Interno Bruto (PIB) no grupo de países ricos do G7 em 23 pontos percentuais até o final de 2021 em comparação com 2019, sem levar a um corte em suas classificações de crédito, uma medida da saúde fiscal de uma economia.

Mas, entre as nações menos desenvolvidas, os 'ratings' foram reduzidos ao longo do último ano em oito países africanos, cinco do Oriente Médio e 11 da América do Sul, América Central e Caribe, e mais rebaixamentos estão a caminho, disse a S&P Global.

No momento, 16 países de mercados emergentes ainda têm perspectivas negativas nos seus ratings da S&P, sinalizando que podem enfrentar um rebaixamento, enquanto os níveis de dívida em rápida ascensão no Brasil e na África do Sul não devem se estabilizar nem mesmo até 2023.

Falando antes da divulgação de uma perspectiva do crédito soberano para 2021, um dos principais analistas da S&P, Frank Gill, disse à Reuters esperar que 2021 "tenha muito mais ações de rating em mercados emergentes".

"Isso não significa que as economias desenvolvidas estão ganhando vantagem. Significa apenas que elas conseguiram ganhar mais tempo", disse ele.

Avaliando a situação nas nações mais ricas, Gill disse: "Será que vamos tirar conclusões precipitadas sobre o dano permanente ao crescimento estrutural? Altamente improvável."

"Portanto, não acho que você verá muitas ações de classificação na OCDE em 2021", disse ele.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico agrupa 37 países, desde os Estados Unidos até nações europeias, Japão e Austrália.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição