Aliados de Bolsonaro, Lira e Pacheco chegam com vantagem para a eleição no Congresso, admite O Globo

Publicado em 01/02/2021 08:12

Candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro chegam com amplo favoritismo à eleição de hoje que vai definir os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Arthur Lira (PP-AL), na Câmara, reúne 11 partidos em seu bloco e, com promessas de cargos no governo e liberação de emendas, conseguiu provocar rachas no apoio ao adversário, Baleia Rossi (MDB-SP). Na noite de ontem, o DEM, partido de Rodrigo Maia, rompeu com a candidatura de Baleia. Com Lira na dianteira, Baleia tenta ao menos levar a disputa ao segundo turno.

Enquanto isso, no Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem ampla vantagem sobre Simone Tebet (MDB-MS), a ponto de o partido da senadora liberar a bancada e negociar cargos na Mesa Diretora com o favorito. Pacheco recebeu declaração pública de “simpatia” de Bolsonaro e teve integrantes do governo articulando em seu favor.

O que foi dito: ontem, em entrevistas à GloboNews, Baleia disse que não é o candidato da oposição, mas “não fugirá da responsabilidade” de analisar pedidos de impeachment. Lira disse que é a pressão social que pauta o presidente da Câmara a abrir o processo contra o chefe do Executivo.

Em paralelo: irritado com o desembarque do DEM e com a pressão do governo sobre seu partido, Rodrigo Maia comunicou à cúpula da sigla que pretende deixar a legenda e disse a aliados que poderia abrir um processo de impeachment . Ele deixa a presidência da Câmara hoje e tem 64 pedidos contra Bolsonaro à espera de deliberação. Parlamentares que estavam na reunião interpretaram a declaração como um “desabafo”.

Aconteceu ontem: manifestantes voltaram às ruas de Rio, Brasília, São Paulo e ao menos outras seis cidades para pedir o impeachment de Bolsonaro. Foi o segundo final de semana seguido de protestos contra o presidente.

Entrevista: a possível vitória de Lira deve sacramentar uma aliança cujo principal objetivo é a “blindagem para evitar um eventual processo de impeachment”, afirma o sociólogo Carlos Melo, do Insper. Ele diz que o governo não vai aprovar tudo o que quiser com o aliado no comando da Câmara: “Quando a prática é fisiológica, cada nova votação exige nova negociação e concessão de recursos”. Leia a entrevista.

Eleição no Congresso foi (em parte) ignorada pela população, diz Exame

Depois de semanas de campanha (em parte ignorada pela população), as eleições para a presidência da Câmara e do Senado acontecem nesta segunda-feira, a partir das 14h no Senado e das 19h na Câmara. Os principais nomes no Senado são Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apoiado pelo Planalto, e Simone Tebet (MDB-MS). Já os favoritos na Câmara são Arthur Lira (PP-AL), governista, e Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os vencedores comandarão as Casas pelos próximos dois anos, podendo ser os responsáveis por pautas como auxílio emergencial, reformas e um eventual impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Entre os deputados, a disputa está acirrada e deve ir para o segundo turno (são necessários 257 dos 513 votos para vencer ainda hoje). Como os votos são secretos, a eleição deve ser marcada por traições. Na noite de ontem, o DEM retirou apoio a Baleia Rossi e liberou a bancada. Leia mais

Outro olhar: dirigentes de entidades empresariais esperam que a nova cúpula do Congresso avance com a análise das reformas administrativa e tributária, o aperfeiçoamento de marcos regulatórios e a votação de pautas urgentes que possam ajudar o governo a acelerar a vacinação contra a Covid-19. Veja as prioridades.

Caminhoneiros

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse acreditar que a greve será um "movimento fraco". Neste domingo, áudio de uma conversa entre o ministro e caminhoneiros circulou no WhatsApp, no qual Freitas afirma não ter possibilidade de atender aos pedidos da categoria.

"Não precisamos abrir crise política", diz Lira sobre impeachment de Bolsonaro (em O Antagonista)

Questionado na GloboNews sobre os pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP) disse que Rodrigo Maia (DEM) agiu com “muita prudência e equilíbrio” ao não abrir o processo até agora.

“Faço a seguinte análise: é um processo político que nenhum presidente [da Câmara] pauta o impeachment, o impeachment é que pauta o presidente. Se tivermos uma inflação de 200%, manifestações de rua gigantescas, se tivermos desordem social, isso vem naturalmente” disse.

“O que quero dizer, é que com muita prudência e equilíbrio, o atual presidente [Rodrigo Maia] tem 57 pedidos, se não pautou nenhum, é porque sabe que não há ali nenhum tipo que tipifique uma ruptura política dessa gravidade. Estamos num momento de pandemia, de crise social, de crise econômica, e não precisamos, nesse momento, de falar de assuntos em tese e abrirmos crise política nesse país”, afirmou.

Fonte: O Globo/Exame/O Antagonista

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