Zambelli pede à Justiça que impeça Renan Calheiros de assumir relatoria da CPI da Covid

Publicado em 20/04/2021 12:27

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) apresentou ação à Justiça Federal com pedido de liminar na intenção de impedir que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) assuma a relatoria da CPI da Covid no Senado.

A ação proposta pela aliada do presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira questiona a reputação, o posicionamento e a imparcialidade de Renan, e argumenta que a CPI pode, dessa forma se tornar um instrumento para causar danos ao presidente.

"Nesse contexto, é de afirmar, de forma clara e objetiva, sem qualquer externação o de subjetividade volitiva, que o senador Renan Calheiros não tem a dignidade e ombridade que o admitam desenvolver tão importante missão, faltando-lhe a ilibada reputação que inspira a segurança jurídica necessária para manter o curso dos trabalhos nos limites da propositura deflagadora da persecução legislativa", afirma a ação, citando processos a que o senador responde.

Além de afirmar que o senador do MDB já manifestou publicamente críticas ao governo em redes sociais e na imprensa, a peça também afirma que Renan estaria impedido de assumir a relatoria por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho.

Inicialmente, a CPI propunha investigação das ações e omissões do governo federal na área da saúde, com especial atenção à crise sanitária que atingiu o Amazonas no início do ano. Mas o escopo da apuração foi ampliado e passou a incorporar, também, os repasses da União a entes federativos para o combate à pandemia.

A tentativa de obter o controle de postos-chave na CPI e a ampliação do objeto de investigação configuram algumas das estratégias adotadas pelo governo na busca de minimizar o desgaste da CPI.

"Imperioso salientar que a missão do relator se traduz em relatar os trabalhos e redigir conclusões das investigações, conferindo-lhe a responsabilidade de conduzir os trabalhos, devendo fidelidade à verdade dos fatos e à persecução das condutas eventualmente ilícitas, sob pena de caracterizar verdadeiro desvio de finalidade e crime de responsabilidade", argumenta a ação de Zambelli.

"Muito se tem dito do momento para a instalação da CPI, posto que, em se tratando de direito indelével da minoria parlamentar, o que se percebe, às escâncaras, é o possível desvirtuamento das proposituras objetivas e uma verdadeira guerra de interpretações que em nada vão ajudar a solução dos grandiosos problemas noticiados na rotina cotidiana. Ao contrário, a hipótese mais clara e evidente é que essa CPI tenderá a criar um ambiente hostil ao presidente da República, no momento em que se propôs a pacificação e o foco na reconstrução de pontes entre o governo federal e todos os demais entes federativos, além de envolver os três Poderes."

O senador Renan Calheiros foi procurado, mas não houve resposta até o momento da publicação desta reportagem.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall St fecha em alta com Dow Jones em recorde por otimismo em torno das negociações com Irã
Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco
Ibovespa fecha estável apesar de recuo de Vale e Petrobras; Embraer sobe
Taxas dos DIs caem em dia de recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo
Grupo de 25 Estados dos EUA contesta as tarifas de Trump
Ações europeias iniciam agosto em alta com expectativas sobre EUA e Irã