Presidente argentino espera novo e sustentável acordo com FMI em breve

Publicado em 10/05/2021 12:13

LISBOA (Reuters) - O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta segunda-feira esperar que seja possível alcançar em breve um novo acordo sustentável com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que permita ao seu país altamente endividado que se desenvolva e que leve em conta as condições pós-pandemia.

"O que sempre pedimos é um acordo que não ponha em questão a nossa capacidade de desenvolvimento e de acabar com as desigualdades. Eu quero chegar a um acordo que seja sustentável", disse ele a repórteres.

A Argentina busca substituir um acordo fechado com o FMI em 2018 e adiar os pagamentos que não pode cumprir em meio à recessão, acentuada pela pandemia de Covid-19.

"Eu pedi ao FMI que entenda o momento que estamos vivendo. Espero que um acordo possa ser alcançado em breve", disse Fernández durante visita a Lisboa.

O presidente argentino havia dito em março que não queria apressar um novo acordo. Muitos investidores esperam agora que o pacto, que inicialmente deveria ter sido fechado em maio, só seja alcançado após as eleições, em novembro.

Ele também disse, em entrevista conjunta com o primeiro-ministro português, António Costa, que seu governo está trabalhando com os credores para mudar algumas regras do sistema financeiro internacional no mundo pós-pandemia.

"Pude transmitir ao primeiro-ministro a situação em que a Argentina se encontra e o trabalho que estamos fazendo com os credores para tentar chegar não só a um acordo entre o FMI e a Argentina, mas também mudar algumas regras do sistema financeiro internacional que estão relacionadas com o mundo pós-pandemia", disse Fernández.

UE-MERCOSUL

Costa, por sua vez, disse que agora há condições para fechar rapidamente um acordo entre o bloco comercial sul-americano Mercosul e a União Europeia (UE), que Portugal espera que seja alcançado durante sua presidência de seis meses da UE, até 30 de junho.

O pacto, acordado em 2019 depois de 20 anos de negociações, prometia ser o maior da UE, removendo 4 bilhões de euros em tarifas de importação.

Mas a ratificação estagnou devido a preocupações entre os membros da UE sobre o desmatamento na região amazônica do Brasil. Os países do Mercosul dizem que aguardam um texto da UE sobre mudança climática que trataria dessas preocupações.

Costa disse ser urgente que a UE apresente seu documento o mais rapidamente possível. Fernández afirmou que alguns países ainda estão criando dificuldades nas negociações e que os dois blocos precisam "trabalhar um pouco mais" no acordo.

(Reportagem de Victoria Waldersee)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Bolsonaro tem prisão domiciliar prorrogada por questões de saúde
Dólar acompanha exterior e cai ante o real em sessão com liquidez menor
Ibovespa avança e fecha acima de 174 mil pontos em pregão com volume reduzido sem Wall St
Taxas de DIs caem no Brasil após dados fracos da indústria em sessão sem os Treasuries
Exportações brasileiras de petróleo, minério de ferro e soja avançam em junho
Governo eleva projeção de superávit comercial do Brasil a US$90 bi em 2026 prevendo exportações mais fortes