Entidades do agro apontam preocupação com desafios institucionais do Brasil

Publicado em 30/08/2021 18:59

SÃO PAULO (Reuters) - Sete associações do agronegócio do Brasil, incluindo Abag e Abiove, manifestaram nesta segunda-feira preocupação com os "atuais desafios à harmonia político-institucional" local, afirmando em manifesto que as tensões estão custando caro ao país e lavarão tempo para ser revertidas.

As entidades disseram que o Brasil não pode se apresentar à comunidade global como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou sob risco de retrocessos e rupturas institucionais, e defenderam o Estado de Direito estabelecido pela Constituição de 1988.

"O desenvolvimento econômico e social do Brasil, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, condições indispensáveis para seguir avançando na caminhada civilizatória", afirmaram as associações, reiterando apoio à alternância de poder em eleições legítimas e frequentes.

A posição expressa no documento, assinado também por Abrapalma, Sindiveg, CropLife, Abisolo e Ibá, além da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), diferencia-se do apoio dado por outras entidades do agronegócio, como a Aprosoja, a bandeiras de Jair Bolsonaro.

O presidente tem atacado o sistema eleitoral brasileiro, defendendo a adoção do voto impresso, e mantido tensões com o Poder Judiciário, após pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) --o que foi rechaçado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Outro alvo constante de Bolsonaro é o ministro do STF Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Falando em ruptura e em decisões fora das "quatro linhas (da Constituição)", Bolsonaro também já ameaçou pedir o impeachment de Barroso.

"As amplas cadeias produtivas e setores econômicos que representamos precisam de estabilidade, de segurança jurídica, de harmonia, enfim, para poder trabalhar... É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora", disseram as associações do agronegócio.

"O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isso está nos custando caro e levará tempo para reverter", acrescentaram.

O manifesto das associações ocorre após uma polêmica envolvendo Febraban e Fiesp, que vinham costurando uma carta em defesa da democracia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda que a Fiesp teria se recusado a publicar o manifesto com críticas ao governo.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) negou ter participado da elaboração de texto com ataques ao governo.

(Por Roberto Samora e Gabriel Araujo)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Petrobras inicia produção da plataforma P-78 no campo de Búzios
Dólar cai no Brasil em dia de agenda esvaziada
Indústria da zona do euro aprofundou contração no final do ano, mostra PMI
Ações de Hong Kong começam 2026 em alta com avanço do setor de tecnologia
Bolsonaro teve novos episódios de soluços e passou por mais um procedimento, diz boletim
Índices S&P 500 e Nasdaq ficam estáveis em negociações fracas de fim de ano e Meta sobe com acordo