Plano para aceitar 6 novos países de uma vez na OCDE pode destravar adesão brasileira, dizem fontes

Publicado em 29/09/2021 14:46

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de esperar anos para ingressar no clube das nações ricas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil vê agora a possibilidade de um avanço como parte de um processo em que o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, tenta levar adiante ao mesmo tempo a adesão de todos os seis países que estão na fila.

Fontes ouvidas pela Reuters confirmam que Cormann, um político australiano que assumiu a OCDE em março deste ano, tenta destravar o impasse das novas adesões com um plano de aceitar todos os seis --os latino-americanos Brasil, Argentina e Peru e os europeus Romênia, Bulgária e Croácia-- de uma vez só.

Depois desse aceite oficial, a velocidade do progresso de cada um para participação plena dependeria do cumprimento das regras da organização.

A intenção é levar o plano para ser discutido na reunião de ministros que acontece em Paris na próxima semana, em um debate que poderia ser usado para destravar as novas adesões.

O próprio processo de adesão do Brasil, iniciado em 2017, parou em parte devido à oposição dos EUA a essa expansão da OCDE para as nações do Leste Europeu. Apesar do então presidente Donald Trump ter patrocinado e apoiado a adesão brasileira, sua resistência em garantir uma expansão posterior para os europeus fez com que a União Europeia também não aceitasse começar o processo .

A estratégia de Cormann com essa proposta é diluir a resistência à adesão de qualquer país em particular, disse à Reuters uma fonte brasileira que acompanha as negociações.

A França, por exemplo, tem relutado em receber o Brasil na OCDE devido às políticas do presidente Jair Bolsonaro sobre o meio ambiente, sugerindo que o Brasil deve primeiro mostrar progresso no combate ao desmatamento na floresta amazônica.

O plano, no entanto, esbarra mais uma vez nos Estados Unidos. O novo governo democrata de Joe Biden ainda não manifestou sua posição sobre a expansão da OCDE, em nenhum caso.

Cormann tem conversado em particular com os países membros para obter apoio para sua proposta antes de apresentá-la formalmente na reunião de 5 a 6 de outubro em Paris, disse a fonte. Outra pessoa com conhecimento do assunto confirmou a proposta. Ambos pediram anonimato para discutir as negociações, que ainda são confidenciais.

"A União Europeia sempre apoiou essa fórmula ou similares, mas sem os Estados Unidos definirem a sua posição, muitos países preferem esperar para se manifestar”, disse o responsável brasileiro.

A OCDE, composta por 36 nações, é um fórum para países democráticos com economias de mercado sólidas. Chile, México e Colômbia são os únicos países da América Latina que conseguiram aderir.

O Brasil tem a expectativa de que a adesão à OCDE aumente a confiança dos investidores à medida que luta contra a alta inflação e o desemprego e os impactos persistentes do surto de coronavírus mais mortal do mundo fora dos Estados Unidos.

Questionado sobre o assunto, o Ministério da Economia, que toca a adequação do Brasil às regras da OCDE, disse que não há uma definição clara sobre o assunto.

(Reportagem adicional de Anthony Boadle e Marcela Ayres, em Brasília)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar zera perdas da manhã e fecha sessão estável no Brasil
Taxas curtas sobem e curva já precifica chance minoritária de alta da Selic em agosto
Governo deve se reunir em 15 dias para aumentar mistura de etanol na gasolina, diz Silveira
Ações fecham em baixa enquanto investidores avaliam riscos no Oriente Médio
Secretário de Energia dos EUA diz que tráfego por Ormuz está aumentando “de forma bastante significativa”
Durigan diz que “pautas-bomba” em discussão no Congresso podem tornar Brasil ingovernável