Atuação do Copom se deu em linha com o esperado em regime de metas de informação, defende BC

Publicado em 30/09/2021 11:26

O Banco Central afirmou nesta quinta-feira que a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) se deu em linha com o que é esperado em um regime de metas de informação em meio a crítica por parte de agentes de mercado de que a autoridade monetária teria ficado atrás da curva, perdendo a habilidade de garantir uma informação na meta apesar das expectativas de uma Selic mais alta.

"As decisões (do Copom) foram em boa medida previsíveis e próximos ao que a maior parte dos agentes entendia adequado em cada momento, atestando a credibilidade do Banco Central", defendeu o BC em box sobre ancoragem das expectativas de informação e condução da política monetária incluído no Relatório Trimestral de Inflação.

" ainda sob a nítida influência dos efeitos desinflacionários iniciais da pandemia e logo antes que diversos choques inflacionários se manifestassem ".

Ainda segundo o BC, essas expectativas desde então subiram e, na ponta, estão 0,4 ponto acima da meta correspondente.

Numa análise da diferença entre a acumulada em 12 meses e a meta de informação, o BC relatou, um despeito da corrente alta, conforme as expectativas se mantêm "relativamente próximo à meta, ao contrário do observado entre 2010 e 2015".

"Portanto, considerando o quão desafiador é o ambiente atual em que se conduz a política monetária –contexto marcado por sucessão atípica de choques, que se revelam mais persistentes que o esperado e que levaram a um patamar elevado– é significativo que as expectativas para um horizonte relativamente próximo continuem próximo à meta, em comparação a desvios observados em anos anteriores ", disse o BC.

De acordo com a pesquisa Focus mais recente, as projeções do mercado são de IPCA em 8,45% este ano, 4,12% ano que vem e 3,25% em 2023, contra metas centrais de 3,75%, 3,5 % e 3,25%, respectivamente. Já o BC prevê, para os mesmos resultados, informação de 8,5%, 3,7% e 3,2%.

No relatório, o BC lembrou ainda que, analisando as expectativas dos agentes nos questionários pré-Copom desde o início de 2020, quando apresentada a surgir os primeiros sinais de pressão inflacionária em 2020, 10% dos analistas achavam adequado um estímulo monetário adicional .

O BC também ressaltou que, entre outubro de 2020 e janeiro de 2021, menos de 5% consideravam adequado que se iniciasse o processo de aperto na Selic.

O BC começou a elevar os juros básicos em março deste ano, tirando um taxa da mínima histórica de 2% que havia sido alcançada em meio à pandemia de coronavírus. Desde então, os juros já subiram 4,25 pontos, ao patamar atual de 6,25%.

Para a próxima reunião do Copom, em outubro, o BC já sinalizou que deve adotar outra alta de 1 ponto na Selic.

Na ata do Copom publicada esta semana, o BC revelou que ponderou subir os juros para além do ajuste de 1 ponto que acabou adotando na semana passada, mas chegou à conclusão que considerando o cenário de incertezas sobre os choques na publicação, era melhor aumentar o ciclo de aperto na Selic para patamar "complacente contracionista".

Fonte: Reuters

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