Ibovespa hesita antes de Fed em meio a ajustes; Lojas Americanas dispara

Publicado em 03/11/2021 13:12

O Ibovespa hesitava nesta quarta-feira, na volta de feriado, com agentes financeiros contrabalançando o noticiário corporativo com ajustes aos movimentos de ADRs na véspera, enquanto aguardam o desfecho da reunião do Federal Reserve.

Às 11:34, o Ibovespa caía 0,02 %, a 105.534,94 pontos. O volume financeiro somava 9 bilhões de reais.

Wall Street não mostrava uma tendência clara antes da decisão do banco central norte-americano, em meio a expectativas de provável anúncio sobre redução de estímulos e após dados mais fortes sobre criação de empregos no setor privado dos EUA.

O S&P 500 cedia 0,1%, mas o Nasdaq Composite tinha variação positiva de 0,07%.

No Brasil, investidores também repercutem a ata da última reunião do Copom, mostrando que o Banco Central avaliou acelerar a alta da Selic para além do ajuste de 1,5 ponto percentual que adotou.

Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, a ata impõe um viés de alta para o seu cenário base de Selic em 11% em março, entre outros fatores, caso o Copom mantenha o plano de uma convergência mais rápida à meta.

Uma mudança do arcabouço fiscal que leve a uma desancoragem ainda maior das expectativas de inflação, segundo ele, também tem esse efeito no seu prognóstico, "especialmente se este cenário for acompanhado por outras medidas 'para-fiscais' para evitar uma desaceleração mais intensa da economia em 2022".

Nesse contexto, permanecem sob os holofotes as negociações relacionadas à PEC dos Precatórios, que pode ser votada nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. A PEC abriria espaço fiscal para a concessão do Auxílio Brasil.

A equipe de grafistas da Ágora Investimentos observou que o Ibovespa trabalha junto ao importante suporte de curto prazo na linha dos 102.800 e sua perda abriria espaço para continuidade do movimento baixista.

Na mínima até o momento, o Ibovespa tocou 104.204,66 pontos.

DESTAQUES

- VALE ON perdia 5,85%, em meio a ajustes após tombo de 4,4% do ADR (recibo de ação negociado nos Estados Unidos) da mineradora na véspera. O UBS também cortou o preço-alvo do ADR da companhia de 15 para 11 dólares.

- PETROBRAS PN caía 2,2%, também em ajuste ao declínio de seus ADRs e na esteira do forte declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o Brent tinha baixa de 2%.

- BANCO PAN PN recuava 4%, após mostrar aumento nas provisões e inadimplência no terceiro trimestre, com queda no lucro na base sequencial.

- LOJAS AMERICANAS PN saltava 10,8% e AMERICANAS ON subia 3,75%, após avanço no processo de fusão entre as companhias, assim como sinalização de que permanece a ideia de listar as ações nos EUA.

- BANCO INTER UNIT subia 1,6%, perdendo o fôlego da abertura, quando subiu mais 10%, após convocação de assembleia para 25/11 para deliberar sobre a reorganização que resultará na listagem das ações na Nasdaq.

- TIM ON tinha alta de 6,9%, após a Superintendência-Geral do Cade recomendar que a venda dos ativos móveis da Oi para TIM, Claro e Telefônica Brasil seja aprovada, embora com remédios.

- ITAÚ UNIBANCO PN valorizava-se 1,1% antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, previsto para após o fechamento do mercado. BRADESCO PN, que reporta os números na quinta-feira, cedia 0,2%.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Alckmin diz que etanol foi único tema explícito em negociação com EUA
Ibovespa fecha quase estável com Petrobras atenuando pressão de bancos
Exterior conduz alta do dólar ante o real em dia de busca por segurança
Lula diz que só falará de tarifaço após manifestação de Trump e que ninguém vencerá o Brasil mentindo
Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros amplia incertezas para exportadores e reforça necessidade de diversificação de mercados
Durigan diz que não cabe falar em retaliação aos EUA por tarifas, mas governo avalia reciprocidade