Previsões sobre PIB em 2022 estão exageradas; inflação vai incomodar mais, afirma Guedes

Publicado em 30/11/2021 14:13

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu que a economia vai desacelerar com força em 2022, mas pontuou que as previsões de que não haverá crescimento estão exageradas, ao passo que a inflação vai incomodar mais.

Ao participar presencialmente do Encontro Nacional da Indústria da Construção, ele avaliou que o avanço inflacionário é do "tipo chato" e "indigesto", ligado a um choque adverso de oferta.

"Desacelera sim. Por isso que a gente não vai crescer 4,5% ou 5% de novo, vai crescer bem menos. Mas partir daí pra dizer que vai ter recessão é a turma da falsa narrativa, não é isso que vai acontecer, vai dar desacelerada forte", afirmou.

Guedes disse que ficará tranquilo com a inflação quando os juros básicos estiverem à frente do avanço de preços na economia.

"Hoje nós estamos com a inflação ainda na frente dos juros ... na hora que você tiver o juro real funcionando a coisa começa a amainar de novo", afirmou.

O ministro elogiou em seguida o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e indicou que a política monetária "leva um tempo para funcionar".

"Eu sou da geração antiga que era à machadada. Na época do Paul Volcker (ex-presidente do BC norte-americano), você dava uma pancada nos juros de uma vez só, vendia bilhões de dólares de reserva, afundava o câmbio logo. Mas é outra geração, tem hoje toda uma metodologia de combate que é baseada nas metas de inflação, no aviso, justamente pra não causar muito desacerto, muita turbulência na economia", disse.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Taxas dos DIs caem após IPCA abaixo do esperado em junho
Ibovespa avança na abertura após IPCA abaixo esperado
Autoridades do Fed se preocupam com risco inflacionário e avaliam aumentos nas taxas de juros
Dólar opera perto da estabilidade ante o real após dados de inflação
IPCA desacelera mais que o esperado em junho com queda de alimentos e tem menor nível em 8 meses
Escalada entre EUA e Irã pode ameaçar superávit no mercado de petróleo em 2027, diz AIE