XP piora estimativas para economia e vê PIB parado em 2022

Publicado em 03/12/2021 12:04

SÃO PAULO (Reuters) - A XP reduziu suas estimativas para o crescimento econômico do Brasil tanto em 2021 quanto em 2022, passando a ver variação nula no ano que vem diante de um cenário de restrições de oferta e aumento da inflação no país.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a XP passou a ver expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 4,5%, 0,5 ponto percentual abaixo da estimativa anterior.

E para 2022 a perspectiva passou a ser de variação zero, contra alta de 0,8% prevista antes.

"Nossas projeções (para 2022) já incorporam os efeitos (defasados) contracionistas do aperto da política monetária, a elevação das incertezas sobre o quadro fiscal e o ambiente político, além de um ritmo mais moderado de crescimento da economia global", explicou a XP.

De acordo com a equipe de economistas que assina o relatório, o desempenho do PIB no ano que vem só não será ainda mais fraco porque há perspectivas favoráveis para a produção agropecuária, normalização gradual no fornecimento de insumos e expansão da população empregada.

Por outro lado, os investimentos totais devem registrar contração em 2022, refletindo a elevação das taxas de juros --diante de uma inflação elevada, o BC tem aumentado a Selic, que está em 7,75% ao ano e sob perspectiva de novo acréscimo de 1,5 ponto percentual na reunião da semana que vem.

A revisão das perspectivas vem após o IBGE divulgar na véspera que o PIB do terceiro trimestre registrou contração de 0,1% no terceiro trimestre, levando a economia a uma recessão técnica.

A XP ainda estima crescimento de 0,3% do PIB no quarto trimestre de 2021 em relação aos três meses anteriores, devido à expansão do nível de emprego, à retomada do setor de serviços e à leve melhoria da produção industrial.

"Os gargalos nas cadeias de suprimentos e a elevação acentuada dos custos continuam a prejudicar o setor industrial, que encara níveis reduzidos de estoques e muitas incertezas acerca da normalização no fornecimento de insumos", destacou o relatório.

"Por sua vez, a inflação persistentemente alta e disseminada tem limitado o poder de compras das famílias e, dessa forma, explica parte relevante da contração do comércio varejista no trimestre passado", completou.

A XP calcula que o IPCA vai terminar 2021 em 10,2% e 2022 em 5,2%, com ambas as taxas acima do teto do intervalo de tolerância para a meta de inflação.

(Por Camila Moreira)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar volta a cair em meio a fluxo estrangeiro para o Brasil
Taxas dos DIs caem em novo dia favorável para os ativos brasileiros
Índice STOXX 600 fecha em alta, mas incerteza comercial persiste
EUA querem manter acordo comercial com UE, afirma chefe de comércio europeu
Governo Trump está trabalhando para elevar tarifa temporária de 10% para 15%, afirma autoridade
Wall Street sobe após Anthropic anunciar novas ferramentas de IA; preocupações com tarifas persistem