Ibovespa opera perto da estabilidade com alta de exportadoras e exterior negativo

Publicado em 18/01/2022 12:10

O principal índice da bolsa brasileira operava entre perdas e ganhos leves nesta terça-feira, com a alta de papéis de empresas exportadoras de commodities contrabalançando um clima de aversão ao risco nos mercados internacionais e preocupação com a cena fiscal no Brasil.

Às 11:14, o Ibovespa subia 0,13%, a 106.517,87 pontos. O volume financeiro era de 3,9 bilhões de reais.

Ao menos 40 categorias de servidores públicos federais devem promover manifestações nas ruas de Brasília e paralisação de atividades em movimento para pressionar o governo a liberar reajustes salariais.

O gatilho que deflagrou os movimentos foi a autorização dada pelo governo, a pedido de Jair Bolsonaro, para reajustar salários de algumas categorias policiais, o que gerou insatisfação em outras carreiras.

No exterior, os preços do petróleo atingiram maior patamar desde 2014, em meio a preocupações com potenciais problemas de oferta, o que ajuda as ações da Petrobras, de peso relevante no Ibovespa.

Já os principais índices de ações nos EUA cediam, diante da alta dos títulos do governo norte-americano, o que afetava especialmente as ações ligadas ao setor de tecnologia. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos, por exemplo, ultrapassaram 1% pela primeira vez desde fevereiro de 2020.

O movimento é influenciado pela perspectiva de alta na taxa de juros dos EUA nos próximos meses. Investidores estão se posicionado para um banco central norte-americano mais agressivo no combate à inflação, antes de uma reunião de política monetária da semana que vem. Na Europa, os índices acionários também cediam.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN e ON subiam 0,9% e 0,3%, respectivamente, enquanto PETRORIO ON avançava 3,2% e 3R PETROLEUM ON tinha alta de 1,6%, após petróleo atingir maior patamar em sete anos, diante de potencial disrupção na oferta. Ataques do grupo Houthi, do Iêmen, aos Emirados Árabes Unidos, se juntaram a perspectivas de um mercado já apertado.

- VALE ON subia 1,3% e siderúrgicas tinham fortes ganhos, com GERDAU PN avançando 2,4%, após futuros do minério de ferro em Dalian fecharem em alta de 1,1%, enquanto preços spot com 62% de teor de ferro para entrega à China caíram.

- INTER UNIT caía 5%, LOCAWEB ON cedia 5,2% e MÉLIUZ ON recuava 1,5%, acompanhando sessão negativa para os papéis relacionados ao setor de tecnologia no exterior.

- BRF ON recuava 4%, interrompendo quatro sessões de alta. Na véspera, acionistas da companhia aprovaram aumento de capital via follow-on. JBS ON caía 0,8% e MARFRIG ON cedia 1,7% e MINERVA ON tinha queda de 1,2%.

- ITAÚ UNIBANCO PN subia 0,8%, BRADESCO PN avançava 0,6%, BANCO DO BRASIL ON tinha alta de 0,4%, enquanto BTG PACTUAL UNIT caía 2,6% e SANTANDER BRASIL UNIT recuava 0,7%.

- MRV ON caía 1,4%, após divulgar prévia operacional do quarto trimestre. Os lançamentos totais subiram 52,4% sobre o mesmo período de 2020, dado principalmente o desempenho da AHS, unidade do grupo nos Estados Unidos, e as vendas cresceram 18% ano a ano. Mas a empresa apurou consumo de caixa no período.

- ALPARGATAS PN caía 5,6%, quarta queda consecutiva. AMBEV ON recuava 2,5%, NATURA ON caía 1,6% e RAIA DROGASIL ON tinha queda de 3%.

- EQUATORIAL ON caía 2,3%, após jornal Valor Econômico noticiar que a empresa prepara follow-on de até 3,5 bilhões de reais.

MELNICK ON, que não está no Ibovespa, caía 2,7%, EVEN ON e MITRE também recuavam após divulgação de dados operacionais do quarto trimestre.

Fonte: Reuters

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