Dólar avança ante real após sinalização de desaceleração no aperto monetário pelo BC

Publicado em 03/02/2022 10:26

O dólar tinha alta frente ao real nesta quinta-feira, com agentes do mercado digerindo a indicação do Banco Central, na véspera, de que desacelerará o ritmo de seu ciclo de aperto monetário.

Ao fim de sua reunião de política monetária, após o fechamento dos negócios na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, a 10,75% ao ano, mas surpreendeu parte do mercado ao indicar uma redução no ritmo de ajuste em março.

O BC manteve, no entanto, o posicionamento de que, diante do aumento de suas projeções de inflação e do risco de desancoragem das expectativas de altas dos preços para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista.

Taxas de empréstimo mais altas no Brasil, são, no geral, vistas como positivas para o real, já que elevam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, atraindo mais recursos de investidores estrangeiros.

Mas o comunicado do Copom da véspera foi "mais 'dovish' (menos agressivo no combate à inflação) do que o esperado pelo mercado, com o BC vendo uma redução do ritmo na próxima reunião como mais adequada e sinalizando proximidade do fim do ciclo de aperto monetário", explicou David Beker, chefe de economia no Brasil do Bank of America, em relatório divulgado na noite de quarta-feira.

A expectativa do BofA é de que a Selic seja elevada em mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em março, chegando a uma taxa terminal de 11,25% ao ano.

Às 10:17 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,50%, a 5,3025 reais na venda. Na máxima do dia, a moeda foi a 5,3120 reais na venda, alta de 0,68%.

Na B3, às 10:17 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,74%, a 5,3360 reais.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, disse à Reuters que esta sessão pode ser "confusa" no mercado de câmbio, já que, além de refletir surpresa de parte dos mercados com a sinalização de desaceleração por parte do Copom, as operações também acompanhavam a recuperação do dólar no exterior.

O índice da divisa norte-americana contra seis rivais fortes subia 0,1%, depois de cair por três sessões consecutivas, enquanto os pesos mexicano, colombiano e chileno, pares importantes do real, registravam perdas frente ao dólar.

Uma pesquisa da Reuters com estrategistas mostrou que o dólar vai manter sua posição forte por pelo menos mais três a seis meses contra as principais moedas globais, mas será necessária uma mudança significativa nas expectativas do mercado para aumentos de juros pelo Federal Reserve para impulsionar a moeda a patamares mais altos.

O banco central dos EUA já sinalizou claramente que começará a elevar os juros em março, e os mercados monetários precificam cerca de cinco aumentos nos custos dos empréstimos ao longo de 2022.

A moeda norte-americana negociada no mercado interbancário fechou a última sessão com variação positiva de 0,05%, a 5,2759 reais na venda.

Nesta sessão, o BC fará leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Índices de ações caem na Europa com receios de colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã
Navio iraniano apreendido provavelmente transportava equipamentos considerados de uso duplo pelos EUA, dizem fontes
UE ampliará sanções sobre Irã para responsáveis por bloquear Ormuz
Bloqueio militar dos EUA no Estreito de Ormuz redirecionou 27 navios desde seu início
Tráfego marítimo em Ormuz é novamente parado após disparos e apreensões
Israel reforça controle sobre o sul do Líbano e diz para moradores não entrarem na área