Kremlin diz que ação militar para "em um momento" se Ucrânia aceitar condições

Publicado em 07/03/2022 12:35

LONDRES (Reuters) - A Rússia exige que a Ucrânia pare com suas atividades militares, altere sua Constituição para consagrar a neutralidade, reconheça a Crimeia como território russo e reconheça as Repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Peskov disse à Reuters que a Rússia havia dito à Ucrânia que estava pronta para interromper sua ação militar "em um momento" se Kiev aceitasse suas condições.

Foi a declaração russa mais explícita até agora dos termos que quer impor à Ucrânia para parar o que ela chama de "operação militar especial" na Ucrânia, agora em seu 12º dia.

Peskov disse que a Ucrânia estava ciente das condições. "E foi-lhes dito que tudo isso pode ser interrompido em um momento."

Sobre a questão da neutralidade, disse ele: "Eles deveriam fazer emendas à Constituição segundo as quais a Ucrânia rejeitaria qualquer objetivo de entrar em qualquer bloco. Isto só é possível fazendo alterações na Constituição".

O porta-voz do Kremlin insistiu que a Rússia não estava procurando fazer mais reivindicações territoriais sobre a Ucrânia.

"Estamos realmente terminando a desmilitarização da Ucrânia. Vamos concluí-la. Mas o principal é que a Ucrânia cesse sua ação militar. Eles devem parar sua ação militar e então ninguém vai atirar", disse ele.

"Eles deveriam fazer emendas a sua Constituição de acordo com as quais a Ucrânia rejeitaria qualquer objetivo de entrar em qualquer bloco. Também falamos sobre como eles deveriam reconhecer que a Crimeia é território russo e que precisam reconhecer que Donetsk e Lugansk são Estados independentes. E é isso. Isto vai parar em um momento", disse Peskov à Reuters.

O detalhamento das exigências russas vem num momento em que delegações da Rússia e da Ucrânia se preparam para se reunir nesta segunda-feira para uma terceira rodada de conversações destinadas a acabar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia, uma invasão lançada em 24 de fevereiro que causou a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e provocou indignação em todo o mundo.

(Reportagem de Catherine Belton)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar acompanha exterior e cai ao menor valor em três semanas
Williams, do Fed, espera queda em preços de energia mesmo com recrudescimento do conflito no Oriente Médio
Petrobras pode retomar produção na Bolívia e ajudar a reestruturar YPFB, diz ministro boliviano
México apresentará queixas criminais nos EUA sobre mortes de mexicanos durante operações de fiscalização de imigração
Wall Street sobe com ganhos de setor de chips compensando inquietação com Oriente Médio
Irã diz ter atacado alvos militares dos EUA no Golfo Pérsico e sepulta líder assassinado