Macron e Le Pen discutem custo de vida e Rússia em debate eleitoral na França

Publicado em 20/04/2022 17:45

Por Michel Rose e Elizabeth Pineau e Ingrid Melander

PARIS (Reuters) - O presidente francês, Emmanuel Macron, e a sua adversária de extrema-direita, Marine Le Pan, discutiram nesta quarta-feira quem seria o melhor indicado para melhorar o poder de compra dos eleitores e tocar a política externa da França, no único debate entre eles antes da eleição de domingo.

Para Le Pen, que está atrás de Macron nas pesquisas de opinião antes da votação de domingo, trata-se de mostrar que ela tem estatura para ser presidente e convencer mais eleitores de que não devem temer ver a extrema-direita no poder.

“Eu quero dar aos franceses o dinheiro deles de volta”, disse Le Pen, batendo forte no retrospecto de Macron no poder, dizendo que ela viu os franceses “sofrerem” nos últimos cinco anos.

“Eu quero dizer a eles que outra escolha é possível”, disse Le Pen, acrescentando: “Eu serei a presidente do custo de vida”.

A principal linha de ataque de Macron contra sua adversária no começo do debate foi sua antiga admiração do presidente russo, Vladimir Putin, um empréstimo para a campanha de 2017 que ela contraiu por meio de um banco russo e o seu reconhecimento da anexação da Crimeia.

“Você depende do poder da Rússia, você depende do senhor Putin. Você pegou um empréstimo de um banco russo”, disse Macron, à adversária. “Muitas das suas escolhas podem ser explicadas por essa dependência”, disse, acrescentando: “Você fez uma escolha que a limitou politicamente”.

A eleição apresenta aos eleitores duas visões opostas da França: Macron propõe uma plataforma liberal pró-Europa, enquanto o manifesto nacionalista de Le Pen é fundamentado em um profundo ceticismo europeu.

O debate foi tenso o tempo todo, salpicado de "não me interrompa", "isso está errado" e acusações de um para o outro de ter uma visão pouco ambiciosa da França e de seu futuro.

"Pare de misturar tudo", disse Macron a Le Pen durante uma discussão sobre a dívida pública da França. "Não me dê sermão", respondeu Le Pen.

Fonte: Reuters

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