Aporte da Eletrobras e crédito tributário reduzem reajustes de 3 distribuidoras

Publicado em 21/06/2022 14:46

Por Letícia Fucuchima

(Reuters) - O aporte de 5 bilhões de reais da Eletrobras para modicidade tarifária e a devolução de créditos tributários aos consumidores de energia elétrica contribuíram de forma relevante para reduzir os reajustes anuais de três distribuidoras.

A agência reguladora Aneel aprovou nesta terça-feira reajustes tarifários médios para o ano de 2022 de 8,80% para a Cemig, de 10,98% para a RGE Sul e de 4,90% para a Copel.

Os índices ficaram bem abaixo das altas superiores a 20% homologadas para várias distribuidoras no início do ano, que provocaram insatisfação e reação de parlamentares.

Nesses três casos, o principal fator de atenuação das tarifas foi a reversão, aos consumidores, de créditos tributários decorrentes da "tese do século" do Supremo Tribunal Federal, que decidiu excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

Na Cemig, a devolução desses créditos reduziu em 15,20 pontos percentuais os componentes financeiros embutidos no cálculo das tarifas da concessionária. Na RGE Sul, o efeito foi de 7,30 p.p. negativos, e na Copel, de 13,3 p.p. negativos.

Já o aporte de 5 bilhões de reais da Eletrobras para modicidade tarifária em 2022, previsto no processo de privatização da elétrica, ajudou a reduzir em pouco mais de 2 p.p. os reajustes dessas três distribuidoras e da Energisa Minas Gerais, que também teve seu reajuste aprovado nesta terça-feira.

Pela lei de privatização, a Eletrobras deverá injetar 32 bilhões de reais na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) até 2047.

ENERGISA

Outras duas distribuidoras, Energisa Minas Gerais e Energisa Nova Friburgo, tiveram reajustes aprovados nesta terça-feira.

Os índices de 16,57% e 19,19%, respectivamente, ficaram acima dos das demais concessionárias por não considerarem a aplicação de algumas ações de redução tarifária.

A Energisa Minas Gerais ainda não possui créditos tributários para devolver aos consumidores, já que suas ações sobre o tema na Justiça não têm trânsito em julgado. Já a distribuidora de Nova Friburgo não foi impactada pelo aporte da Eletrobras na CDE.

NOVAS AÇÕES

Os diretores da Aneel ressaltaram a importância das ações recentes para reduzir as tarifas, em meio a um quadro de pressão inflacionária.

O diretor Helvio Guerra observou que houve um esforço coletivo de Aneel, Congresso e governo, e ressaltou que o teto para cobrança de ICMS deverá ter um efeito relevante em reajustes futuros. A medida foi aprovada pelo Congresso e aguarda sanção presidencial.

Já a diretora-geral interina da Aneel, Camila Bomfim, destacou a necessidade de se rediscutir o escopo da CDE, fundo do setor elétrico custeado pela conta de luz que banca políticas públicas e subsídios.

"Ainda tem muito a discutir, se de fato aqueles subsídios devem permanecer, por quanto tempo, e se alguns deles não poderiam ser transferidos ao Orçamento da União... É um diálogo que vale a pena abrir", disse Bomfim.

(Por Letícia Fucuchima)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Guerra no Oriente Médio vai reduzir crescimento e com impacto em cascata, diz presidente do Banco Mundial
Equipe dos EUA vai às negociações com Irã no Paquistão com baixas expectativas
Ibovespa renova recordes com investidor de olho no Oriente Médio
Dólar volta a cair e se aproxima dos R$5,00 sob influência do exterior
Wall St encerra sem direção comum conforme investidores avaliam negociações no Oriente Médio
Reino Unido convocará mais negociações sobre Estreito de Ormuz na próxima semana, diz autoridade