Dólar tem pouca alteração no dia, mas mercado espera instabilidade ao fim de 3° tri difícil

Publicado em 30/09/2022 10:40

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha pouca alteração frente ao real nesta sexta-feira, com investidores ajustando posições depois que a moeda fechou a véspera num pico em dois meses, mas o último pregão antes do primeiro turno das eleições presidenciais pode trazer cautela e volatilidade, perspectiva que era reforçada pela retomada de um rali da divisa norte-americana no exterior ao fim de trimestre marcado por aversão a risco.

A formação da Ptax --taxa de câmbio usada como referência para operações financeiras-- de fim de mês e trimestre também deve colaborar para instabilidade ao longo das negociações, diziam especialistas.

Após trocar de sinal várias vezes, mas sem se afastar muito da estabilidade, às 10:09 (de Brasília) o dólar à vista avançava 0,12%, a 5,4001 reais na venda, depois de na véspera ter saltado 0,83%, a 5,3937 reais, maior valor desde 22 de julho (5,4976 reais).

Na B3, às 10:09 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,02%, a 5,3995 reais.

"Aparentemente é um consenso no mercado de que o debate (presidencial) de ontem não alterou a situação" antes do primeiro turno das eleições, no domingo, disse à Reuters Carlos Duarte, planejador financeiro pela Planejar, sobre a oscilação tímida do dólar nesta manhã.

O debate promovido pela TV Globo na noite de quinta-feira foi marcado por trocas de farpas acaloradas entre o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As respectivas campanhas de ambos avaliaram suas participações no debate como positivas, apesar do bate-boca.

Lula tem liderado confortavelmente as pesquisas de intenção de voto, e há chances consideráveis de o petista vencer as eleições já no domingo.

Embora o dólar parasse para respirar depois do salto de quinta, "o dia promete ser desafiador", disse Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora, citando possibilidade de haver "doses de cautela e volatilidade" antes do primeiro turno e em dia de disputa pela formação da taxa Ptax. Ao fim de cada mês, operadores costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes para suas carteiras.

No exterior, um índice do dólar contra uma cesta de rivais fortes subia 0,65% nesta manhã, impulsionado por forte desvalorização do euro na esteira de dados de inflação europeus e norte-americanos bem piores do que o esperado.

Divisas arriscadas pares do real tinham desempenho misto no dia, com o dólar australiano caindo e os pesos mexicano e chileno avançando.

Falas de autoridades do Federal Reserve ao longo desta sexta-feira podem ter impacto nos movimentos do mercado de câmbio global, disse Duarte, da Planejar, dependendo de quão agressivas serão eventuais indicações sobre a política monetária.

Após várias semanas de aversão a risco global conforme o Fed e outros grandes bancos centrais sobem suas taxas de juros, o dólar estava a caminho de encerrar setembro em alta de 3,8% contra o real, acumulando no terceiro trimestre valorização de 3,2%.

Esse avanço, mesmo somado ao salto de mais de 10% registrado no período de abril a junho, não era o suficiente para compensar o tombo de mais de 14% dos primeiros três meses do ano, e o dólar ainda recua pouco mais de 3% frente à divisa local até agora em 2022.

Entre os fatores que explicam a relativa resiliência do real no ano, especialistas têm destacado o patamar elevado da taxa Selic, atualmente em 13,75%, nível que torna os retornos do real atraentes para investidores estrangeiros que buscam lucrar com diferenciais de juros entre economias.

Fonte: Reuters

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