Lula e Bolsonaro buscam apoios e definem estratégias para o 2º turno

Publicado em 03/10/2022 09:24

Por Pedro Fonseca

(Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) irão iniciar nesta segunda-feira a busca por apoios e a definição de estratégias para a disputa do segundo turno das eleições para o Palácio do Planalto, após uma primeira votação, no domingo, marcada por uma diferença entre ambos menor do que a prevista pelas pesquisas.

Lula foi o mais votado com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro superou o que era estimado pelas principais pesquisas de opinião e somou 43,20%, o que aponta para um tenso segundo turno em 30 de outubro.

O resultado indica que o trabalho do petista para atrair o voto útil e definir a disputa já no domingo ficou longe de ser suficiente, enquanto a estratégia do candidato à reeleição de atacar duramente o adversário nos últimos dias conseguiu manter aberta a disputa, atraindo ao que tudo indica o voto útil de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

Veja abaixo destaques do cenário eleitoral:

NOVA ESTRATÉGIA

Frustrada pelo resultado mais apertado do que esperava, a campanha de Lula irá se reunir nesta segunda para replanejar a estratégia. A intenção é calcular de onde será possível encontrar novos apoios para garantir no segundo turno a vitória sobre Bolsonaro.

Antes mesmo do resultado, Lula já havia afirmado que se fosse para o segundo turno iria buscar todos os partidos que estivessem abertos a negociar para tratar de apoio. Uma fonte petista afirmou que a conversa com o MDB já começou.

Em sua fala ao final da apuração, Lula tentou mostrar animação. Lembrou que nunca ganhou uma eleição no primeiro turno, e que é preciso lembrar onde ele estava quatro anos atrás: preso e declarado morto para a política.

APOIO DE GOVERNADORES

Do lado da campanha de Bolsonaro, o presidente disse que existe a possibilidade "bastante avançada" de conversar com Romeu Zema (Novo), governador reeleito de Minas Gerais no primeiro turno, em busca de um apoio para a sua campanha. Ele também aposta no reforço para sua campanha do governador reeleito do Rio, Cláudio Castro (PL).

Bolsonaro avaliou que, até o primeiro turno, os candidatos estavam muito mais preocupados com a campanha deles do que com a presidencial e que agora poderão se dedicar à disputa presidencial.

CÂMARA E SENADO

A votação expressiva de Bolsonaro também ajudou candidatos alinhados com o presidente na disputa por vagas no Senado. Foram eleitos os ex-ministros do atual governo Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Damares Alves (Republicanos-DF) e Marcos Pontes (SP), além do vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e do ex-secretário da Pesca Jorge Seif (PL-SC), em uma constatação de que o bolsonarismo se consolidou e criou raízes na política nacional.

Outros aliados do presidente conquistaram cadeiras no Senado. Esse é o caso de Magno Malta (PL-ES), Wilder Morais (PL-GO) e Hiran Gonçalves (PP-RR), além de Wellington Fagundes (PL-MT), Romário (PL-RJ) e Cleitinho (PSC-MG). Há ainda os que não se identificam como apoiadores de Bolsonaro, mas alinham-se com bandeiras do presidente, caso do ex-aliado e hoje desafeto Sergio Moro (União-PR), eleito para o Senado.

Na Câmara dos Deputados, o PL, partido de Bolsonaro, consolidou a posição de maior bancada da Casa passando dos atuais 76 deputados para 99. A federação PT-PCdoB-PV aparece em segundo lugar, com 80 deputados eleitos.

TRANQUILIDADE

Após uma campanha marcada pela tensão e por episódios de violência política, além das constantes contestações de Bolsonaro à segurança das urnas eletrônicas, a eleição de domingo transcorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, disse que a Justiça Eleitoral cumpriu seu papel de garantir segurança e transparência ao pleito.

"Chegamos ao final deste dia com a certeza de que a Justiça Eleitoral cumpriu, novamente, a sua missão constitucional de garantir segurança e transparência nas eleições", disse Moraes.

PRÓXIMAS PESQUISAS ELEITORAIS

Ipec - 5 de outubro

Genial/Quaest - 6 de outubro

PoderData - 6 de outubro

Datafolha - 7 de outubro

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Reportagem adicional de Fernando Cardoso, em São Paulo)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street abre em alta com alívio de preocupações com setor de tecnologia
Construção de moradias unifamiliares nos EUA se recupera em janeiro
Investidores avaliam implicações de possível saída antecipada de Lagarde do BCE
Ata do Fed pode destacar mudança em balanço de riscos
EUA revelam novos detalhes sobre suposto teste nuclear chinês
Trump diz que Japão investirá em projetos industriais e de energia em Ohio, Texas e Geórgia