Cuba e EUA discutem por conta de resolução da ONU pedindo fim de embargo

Publicado em 04/11/2022 07:49

HAVANA (Reuters) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, votou nesta quinta-feira contra uma resolução da Assembleia Geral da ONU pedindo o fim do embargo econômico dos EUA a Cuba, deixando as relações geladas entre os dois rivais de longa data.

A resolução não vinculante foi aprovada por 185 países e contestada apenas pelos Estados Unidos e Israel, com abstenção de Brasil e Ucrânia. Foi a 30ª vez que as Nações Unidas votaram pelo fim do embargo.

Biden aliviou algumas sanções à ilha de governo comunista, implementadas por seu antecessor, Donald Trump, afrouxando as duras restrições dos EUA sobre remessas, voos, turismo e migração.

Mas o coordenador político dos EUA, John Kelley, disse à Assembleia Geral da ONU na quinta-feira que os Estados Unidos responsabilizarão o governo cubano por supostas violações de direitos humanos após protestos generalizados na ilha em julho de 2021.

"Os Estados Unidos se opõem a esta resolução, mas estamos com o povo cubano e continuaremos buscando maneiras de fornecer apoio significativo a eles", disse Kelley.

"Juntamo-nos aos parceiros internacionais para instar o governo cubano a libertar os presos políticos imediata e incondicionalmente e proteger as liberdades de expressão e reunião pacífica de todos os indivíduos em Cuba".

O representante de Cuba nas Nações Unidas, Yuri Gala, reagiu durante a sessão da ONU em Nova York, chamando de falsas as alegações dos EUA de violações de direitos.

"Cuba não precisa de lições sobre democracia e direitos humanos, muito menos dos Estados Unidos", disse Gala.

"Se o governo dos Estados Unidos estivesse realmente interessado no bem-estar, nos direitos humanos e na autodeterminação dos cubanos, poderia suspender o bloqueio."

O embargo comercial foi implementado após a revolução de Fidel Castro em 1959 e permaneceu praticamente inalterado, embora alguns elementos tenham sido endurecidos por Trump. A teia de leis e regulamentos dos EUA complica as transações financeiras e a aquisição de bens e serviços pelo governo cubano. 

(Reportagem de Dave Sherwood e Nelson Acosta) 

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Senado dos EUA confirma novo embaixador para o Brasil e outros indicados por Trump
Ibovespa fecha em queda com cena corporativa em foco; Petrobras PN cai 3%
STF julga recursos contra partes da decisão que anulou marco temporal
Dólar cai ante real após queda inesperada do emprego nos EUA
Taxas dos DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA
Trump retoma tentativa de demitir Lisa Cook, do Fed