Reuters: Moraes confirma conversa com Do Val, diz que senador recusou-se a formalizar denúncia

Publicado em 03/02/2023 12:23

Por Catarina Demony

 

 

LISBOA (Reuters) - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta sexta-feira ter tido uma conversa com o senador Marcos do Val (Podemos-ES) na qual o parlamentar lhe relatou ter participado de reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro onde lhe foi proposto que gravasse o magistrado.

Mas Moraes disse que o parlamentar se recusou a formalizar em depoimento a denúncia de que teria recebido proposta para participar de um eventual plano golpista.

Em conferência de negócios do Grupo Lide, fundado pelo ex-governador de São Paulo João Doria, em Lisboa, Moraes disse que, diante da recusa do senador em formalizar a denúncia, se despediu de Do Val pois "o que não é oficial, para mim não existe".

Ele também disse que o senador --com quem afirmou não ter nenhuma intimidade-- lhe contou que a gravação seria usada para tentar retirá-lo da presidência de inquéritos que investigam Bolsonaro.

"Eu indaguei ao senador se ele reafirmaria isso e colocaria no papel, que eu tomaria imediatamente o depoimento dele. O senador me disse que isso era uma questão de inteligência e que infelizmente não poderia confirmar. Então eu levantei, me despedi do senador, agradeci a presença, até porque o que não é oficial, para mim não existe", disse o ministro, que participou do evento por videoconferência.

"A ideia genial que tiveram foi colocar uma escuta no senador para que o senador, que não tem nenhuma intimidade comigo --conversei exatamente três vezes na vida com esse senador--, pudesse me gravar e, a partir dessa gravação --e aí é até onde chegou ao senador--, pudesse solicitar a minha retirada da presidência dos inquéritos", relatou.

Na quinta-feira, a revista Veja publicou reportagem afirmando ter tido acesso a mensagens que comprovariam um encontro em dezembro de Do Val com Bolsonaro e com o então deputado federal Daniel Silveira no Palácio da Alvorada no qual Bolsonaro teria proposto ao senador que gravasse uma conversa com Moraes sem o conhecimento do ministro, na tentativa de que o magistrado dissesse algo comprometedor que pudesse levar a uma tentativa de prendê-lo e anular a eleição presidencial de outubro.

Moraes foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de outubro.

Segundo a revista, Do Val relatou o episódio a Moraes e, posteriormente, recusou a proposta de gravar o ministro.

Também na quinta, Do Val confirmou ter se reunido com Bolsonaro e Silveira, mas disse que a proposta de gravar Moraes partiu do então deputado federal, e que Bolsonaro apenas a ouviu em silêncio.

O senador também disse ter se reunido com Moraes antes do encontro com Bolsonaro e Silveira para dizer que havia sido chamado a conversar com ambos e que o ministro o teria encorajado a ir à reunião para colher informações.

Indagado sobre este suposto primeiro encontro com Do Val, Moraes negou que ele tenha ocorrido.

"A conversa que eu tive com ele foi a que eu anteriormente transcrevi", disse Moraes.

DEPOIMENTO

No depoimento que prestou à PF na quinta-feira, Marcos do Val repetiu a trama segundo a qual Daniel Silveira usaria o material da gravação da fala de Moraes para anular a eleição, que o ex-presidente permaneceria no cargo e que iria prender Alexandre de Moraes. Foi por ordem do ministro do STF, atendendo a pedido da polícia, que o senador depôs.

O senador disse que, em nenhum momento, o ex-presidente negou o plano ou mostrou contrariedade ao plano, mantendo-se em silêncio, segundo o depoimento.

O parlamentar afirmou posteriormente ter dito a Daniel Silveira que não iria cumprir o plano. À PF, ele fez um novo recuo, negando o conteúdo da reportagem da revista VEJA no qual relata que houve coação do ex-presidente para tentar desacreditar Alexandre de Moraes.

Marcos do Val disse que extrapolou sua fala à revista porque estava com raiva dos ataques que estava sofrendo de bolsonaristas. A própria Veja divulgou na quinta um áudio de entrevista dada pelo senador em que fala de ordem de Bolsonaro para gravar Moraes a fim de tentar dar um golpe de Estado.

 

(Reportagem de Catarina Demony, em Lisboa, e de Eduardo Simões, em São Paulo; Reportagem adicional de Ricardo Brito, em Brasília)

Fonte: Reuters

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