IPCA-15 avança 0,76% em fevereiro com pressão do setor de educação, diz IBGE

Publicado em 24/02/2023 09:04 e atualizado em 24/02/2023 09:59

Por Luana Maria Benedito

(Reuters) - A prévia da inflação "oficial" do Brasil avançou mais do que o esperado em fevereiro, influenciada por reajustes de preços no setor de educação no início do ano letivo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) --uma prévia do IPCA, referência para o regime de metas de inflação-- subiu 0,76% neste mês, acelerando após alta de 0,55% em janeiro. O resultado ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,72%.

Nos 12 meses até fevereiro, o IPCA-15 avançou 5,63%, abaixo dos 5,87% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. A leitura superou a taxa de 5,60% projetada por analistas.

A meta oficial para a inflação este ano é de 3,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

Em fevereiro de 2022, o IPCA-15 havia subido 0,99%.

Segundo o IBGE, o resultado deste mês foi influenciado principalmente pelo grupo Educação, que disparou 6,41%, representando a maior variação e o maior impacto no índice geral, de 0,36 ponto percentual.

Entre os componentes do grupo, a maior contribuição veio dos cursos regulares, que avançaram 7,64% por conta de reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo, informou o IBGE. As maiores variações vieram do ensino médio (10,29%), do ensino fundamental (10,04%), da pré-escola (9,58%) e da creche (7,28%). Ensino superior (5,33%), curso técnico (4,50%) e pós-graduação (3,47%) também registraram altas.

Incluindo Educação, oito dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15 tiveram alta em fevereiro. Entre outros destaques estão os grupos Habitação, que avançou 0,63% no mês, acelerando ante a alta de 0,17% vista em janeiro. Alimentação e bebidas, por sua vez, ganharam 0,39%, arrefecendo frente ao ritmo de 0,55% do mês anterior.

O resultado acima do esperado do IPCA-15 de fevereiro vem em meio a preocupações do mercado financeiro com possível desancoragem das expectativas de inflação após recentes ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à conduta da política monetária pelo Banco Central. Um dos principais alvos do petista tem sido a taxa Selic, que ele diz estar alta demais, ao ponto de minar o crescimento da economia.

O BC interrompeu no ano passado um longo e intenso ciclo de aperto monetário que, em sua batalha para controlar a alta dos preços e segurar as expectativas de inflação, elevou a taxa básica de juros de uma mínima histórica de 2% para o nível atual de 13,75%.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha quase estável com suporte de petrolíferas
Dólar fecha o dia estável com expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz
Barein espera que resolução sobre Ormuz seja votada na ONU, mas China se opõe ao uso da força
Lavrov, da Rússia, discutiu situação no Estreito de Ormuz com chanceler do Irã
Assessor do Kremlin diz que Estreito de Ormuz está aberto para Rússia
Ceron diz que governo deve apresentar na próxima semana medidas para amenizar impacto de alta do querosene de aviação