Dólar à vista opera em alta ante real após definição da Ptax

Publicado em 28/02/2023 14:04

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista operava em alta ante o real na tarde desta terça-feira, passado o período de determinação da taxa Ptax do fim de fevereiro, que servirá de referência para liquidação dos contratos futuros de câmbio no início de março.

O movimento de alta mais firme coincidiu com a notícia de que a Petrobras reduzirá o preço médio dos combustíveis cobrado das distribuidoras, em um movimento para compensar a volta da tributação federal.

Às 13:58 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,39%, a 5,2275 reais na venda.

Na B3, às 13:58 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,03%, a 5,2075 reais.

Desde cedo, investidores comprados (com posições favorecidas pela alta do dólar) e vendidos (com posições na baixa do dólar) disputavam a condução das cotações. O objetivo era direcionar a Ptax --a taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

Perto das 13h (horário de Brasília), disseram profissionais do mercado, investidores comprados impulsionaram o dólar, em um último esforço para que a Ptax fechasse em níveis mais altos. A taxa acabou sendo definida pelo Banco Central em 5,2078 reais.

Após a determinação da Ptax, o dólar à vista se manteve com ganhos ante o real, apesar do exterior e do noticiário doméstico.

Lá fora, o dólar estava próximo da estabilidade ante uma cesta de moedas.

Às 13:59 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,06%, a 104,710

No Brasil, chamou a atenção a notícia, dada perto das 13h, de que a Petrobras reduzirá em 0,13 real por litro o preço médio da gasolina e em 0,08 real por litro o preço do diesel. A redução busca compensar a volta da cobrança de impostos federais sobre os combusíveis, conforme anúncio de segunda-feira do Ministério da Fazenda. Às 17h, o ministro Fernando Haddad concederá entrevista em Brasília para detalhar as medidas.

Profissionais ouvidos pela Reuters avaliaram, neste primeiro momento, que a notícia é positiva. "Em tese, a volta da tributação vai dar folga ao caixa do governo. E a redução dos preços pela Petrobras pode segurar a inflação", avaliou Mário Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. Na prática, o noticiário ligado à Petrobras traria um viés de baixa para o dólar, na visão do profissional.

Na segunda-feira, o Ministério da Fazenda havia informado que o governo vai retomar a cobrança de impostos federais sobre combustíveis nesta semana após o final do prazo da desoneração para gasolina e etanol, que se encerra no fim de fevereiro.

"Os agentes financeiros avaliam a notícia como a primeira vitória do ministro Fernando Haddad sobre a ala política do atual governo, em meio às indefinições ainda pendentes sobre a nova regra de gastos para o país", disse a XP em nota distribuída mais cedo.

Como Haddad é visto como mais fiscalmente moderado do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários de seus apoiadores, o mercado enxerga com bons olhos o desfecho sobre a reoneração dos combustíveis.

O ministro da Fazenda deve apresentar em março um novo plano de arcabouço fiscal para o país, e os mercados aguardam para saber se a proposta terá mais peso das opiniões de Haddad ou da chamada "ala política" do governo.

(Fabrício de Castro Edição de Luana Maria Benedito)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha em queda com realização de lucros antes do Carnaval
Dólar sobe ante o real com busca por proteção antes do Carnaval
Ministros suspeitam que reunião sobre Master foi gravada clandestinamente
Wall Street caminha para perdas semanais, com quedas em tecnologia compensando alívio inflacionário
Suzano vai fazer novo reajuste de preços em todos os mercados em março
Chefe da OMC pede reforma do sistema comercial global