Mercadante defende dobrar papel do BNDES e diversificar taxas adotadas nos financiamentos

Publicado em 14/03/2023 18:07 e atualizado em 14/03/2023 18:55

RIO DE JANEIRO (Reuters) -O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira que a intenção é dobrar o volume de desembolsos do banco até 2026 e negociar com o governo a adoção de outras taxas além da TLP (Taxa de Longo Prazo) nos empréstimos da instituição, adotando custos reduzidos para determinados setores.

A meta do banco é chegar a 2% do PIB em desembolsos até 2026, contra patamar atual de 1%, disse Nelson Barbosa, diretor do BNDES. Os dois executivos também defenderam uma redução dos dividendos pagos pelo banco ao Tesouro. Segundo Barbosa, a ideia é que o BNDES volte a repassar cerca de 25% de seus dividendos à União, e não 60%, como vinha acontecendo.

Em entrevista coletiva para comentar o balanço do BNDES referente ao quarto trimestre de 2022, Mercadante frisou que não é papel de bancos de desenvolvimento financiar o Tesouro e sim financiar investimentos, emprego e renda.

"Queremos resgatar papel histórico do BNDES", disse Mercadante. Ele afirmou que a TLP está atualmente muito alta, e há espaço para negociar taxas mais baixas.

Segundo Barbosa, a adoção de um redutor para a TLP implicará um subsídio implícito do governo. "Não podemos demonizar o instrumento", disse.

A TLP, principal indexador dos financiamentos do BNDES, foi implementada em 2018 em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que demandava subsídios elevados do governo. A TLP é formada por uma fatia prefixada e outra pós-fixada pela inflação. Hoje, a taxa está em IPCA mais 6,15% ao ano.

(Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de Isabel Versiani; Edição de André Romani e Alexandre Caverni)

Fonte: Reuters

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