Sem acordo, governo deve pinçar 3 ou 4 MPs para votação e transformar outras em projetos, diz Lira

Publicado em 28/03/2023 07:56 e atualizado em 28/03/2023 08:34

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta segunda-feira que caso não haja acordo em torno da tramitação das medidas provisórias, seriam escolhidas "três ou quatro" MPs de maior prioridade do governo para votação, e as demais editadas neste ano seriam transformadas em projetos de lei com urgência constitucional.

Dentre as preocupações do governo que se manteriam como MPs, estão a medida que garante o pagamento de 600 reais do Bolsa Família, a que reorganizou a estrutura da máquina de governo, incluindo os novos ministérios, e ainda a que trata do Minha Casa, Minha Vida.

"Não havendo acordo, o governo fez um apelo, a Câmara dos Deputados deve fazer também ao Senado Federal, de que três ou quatro medidas provisórias essenciais como o Bolsa Família, como Minha Casa, Minha Vida e como a organização, por exemplo, de todos os Ministérios, nós abramos uma exceção", disse o presidente da Câmara.

Lira afirmou que entre as alternativas aventadas para a construção de acordo sobre a tramitação das MPs está a definição de um prazo para a análise das medidas nas comissões mistas, e ainda que esses colegiados tenham composição proporcional ao tamanho de Casa, em vez de número idêntico de senadores e deputados.

"Se essa proposta de proporcionalidade que existe em todas as outras comissões da Casa e um tempo mais do que razoável não atender o Senado, é porque na realidade o Senado não quer fazer acordo."

O presidente da Câmara disse já ter enviado mensagem ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A tensão entre a Câmara e o Senado por conta da tramitação das MPs deu uma escalada na última semana. Pacheco, respaldado por senadores, defende que seja retomado o rito constitucional, aplicado às medidas provisórias antes da pandemia de Covid-19.

O senador chegou a anunciar na última semana que iria retomar o rito das medidas provisórias anterior à pandemia, voltando ao funcionamento das comissões mistas como antes.

Durante a pandemia, por conta das restrições de aglomeração, o Congresso aprovou regras especiais de tramitação excluindo a necessidade de comissões mistas para as MPs. Também foi criado um sistema de votação remota.

De acordo com Lira, a Câmara deve votar, no decorrer desta semana, as MPs editadas ainda pelo governo Bolsonaro --duas delas já foram aprovadas de maneira simbólica pelo plenário nesta segunda-feira-- pelo rito especial.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha em queda com realização de lucros antes do Carnaval
Dólar sobe ante o real com busca por proteção antes do Carnaval
Ministros suspeitam que reunião sobre Master foi gravada clandestinamente
Wall Street caminha para perdas semanais, com quedas em tecnologia compensando alívio inflacionário
Suzano vai fazer novo reajuste de preços em todos os mercados em março
Chefe da OMC pede reforma do sistema comercial global