Proposta do Euro 7 para redução de emissões é sequência que montadoras da Europa não querem assistir

Publicado em 28/03/2023 12:40

Por Christina Amann e Marie Mannes

 

 

BERLIM/ESTOCOLMO (Reuters) - As montadoras europeias estão lutando contra as propostas de regulamentação de emissões, que argumentam serem muito caras, apressadas e desnecessárias, mas que a Comissão Europeia diz serem necessárias para reduzir as emissões prejudiciais e evitar a repetição do escândalo do Dieselgate.

Países e parlamentares da União Europeia negociarão neste ano as propostas do "Euro 7" sobre limites mais rígidos para as emissões de carros - para carros a diesel, mas não a gasolina - e de caminhões e ônibus de grande porte, incluindo óxido de nitrogênio e monóxido de carbono.

A UE tem endurecido progressivamente os limites desde o "Euro 1" em 1992.

A proposta da Comissão amplia os testes de emissões em condições reais de condução (RDE) e adiciona testes contínuos de emissões por meio de um sistema de monitoramento a bordo.

O Euro 7 entrará em vigor em meados de 2025 para carros e em meados de 2027 para caminhões e ônibus.

Executivos, incluindo o presidente-executivo da Stellantis, Carlos Tavares, dizem que as regras são "inúteis", enquanto as montadoras investem dezenas de bilhões de euros em veículos elétricos (EVs) e começam a eliminar gradualmente os carros movidos a combustíveis fósseis.

O grupo de lobby da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) disse que o Euro 7 aumentará os preços dos carros novos em 2 mil euros e um executivo da montadora tcheca Skoda afirmou que a unidade da Volkswagen terá que cortar 3 mil empregos. O presidente-executivo da Iveco, Gerrit Marx, chamou as propostas de "simplesmente estúpidas".

A Comissão Europeia estima que o Euro 7 pode aumentar em até 150 euros os preços dos carros e 2.600 euros os preços de caminhões e ônibus.

A ACEA diz que as reduções de poluentes do Euro 7 serão mínimas. A Comissão argumenta que serão significativas.

Mattias Johansson, chefe de assuntos governamentais da Volvo Cars, disse à Reuters que o prazo de 2025 deixou "praticamente nenhum tempo razoável" para fazer mudanças nos motores e carece de detalhes sobre os procedimentos de teste. A Volvo se comprometeu a ser totalmente elétrica até 2030.

O presidente-executivo da Daimler Truck, Martin Daum, disse que os novos sensores de emissão exigirão "grandes investimentos" e Alexander Vlaskamp, presidente-executivo da MAN, unidade da Traton, estima que o Euro 7 custará 1 bilhão de euros.

Os fabricantes de caminhões também reclamam que o programa de emissões vem em um momento em que enfrentarão limites mais rigorosos de CO2 a partir de 2030.

"É um comportamento aceito dos políticos em Bruxelas de criticar a indústria automotiva, porque nós merecemos" depois do Dieselgate, disse Marx, da Iveco.

Um porta-voz da Comissão se recusou a comentar as declarações dos executivos, mas disse que os testes de emissões de condução real do Euro 7 são importantes por causa dos "escândalos no passado sobre dispositivos de trapaça".

No escândalo do Dieselgate, a Volkswagen admitiu em 2015 ter equipado cerca de 11 milhões de carros em todo o mundo com um software para enganar os testes de emissões de diesel - custando à montadora alemã mais de 32 bilhões de euros em recondicionaremos de veículos, multas e custos legais.

Mas nem toda a indústria automobilística está insatisfeita com o Euro 7.

O presidente-executivo da Vitesco, Andreas Wolf, disse que a fornecedora de trem de força (também conhecido como powertrain) vê isso como uma oportunidade.

"O cronograma significa estresse para muitas empresas", disse ele. "Mas estamos preparados para tudo."

A Cummins acredita que o Euro 7 "estabelece um bom equilíbrio entre ser rigoroso, claro e aplicável", disse Pete Williams, chefe de conformidade técnica da fabricante de motores norte-americana na Europa.

(Reportagem adicional de Nick Carey, Giulio Piovaccari e Gilles Guillaume)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Chefe de câmbio do Japão afirma estar em alerta sobre movimentação do iene
Ministro israelense ameaça retaliação em grande escala caso Irã ataque Israel
Putin cita chance de acordo de paz, mas diz que alerta ucraniano sobre aviação dificulta negociação
Com disputa acirrada, Lula adota tom cauteloso na campanha para minimizar riscos
Ações chinesas fecham estáveis; investidores aguardam dados dos EUA
Congresso conclui votação do projeto de minerais críticos, que segue à sanção presidencial