Núcleo da inflação da zona do euro sobe em março e mantém BCE em alerta

Publicado em 19/04/2023 08:34

Por Balazs Koranyi

FRANKFURT (Reuters) - A inflação na zona do euro diminuiu no mês passado, mas as leituras subjacentes permaneceram altas, disse a Eurostat nesta quarta-feira, confirmando dados preliminares que aumentaram as preocupações do Banco Central Europeu sobre a persistência das pressões de preços.

A inflação anual ao consumidor nas 20 nações que compartilham o euro caiu de 8,5% para 6,9%, principalmente devido a uma rápida queda nos custos de energia, já que os preços do gás natural continuam caindo após o salto de um ano atrás com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Mas as autoridades do BCE agora estão preocupadas com o fato de que os altos custos da energia tenham se infiltrado na economia em geral e persistam em tudo, desde serviços a salários, tornando a inflação mais difícil de domar.

De fato, excluindo alimentos não processados e combustível, os preços aceleraram para 7,5%, de 7,4%, enquanto uma medida de inflação ainda mais estreita, que também exclui álcool e tabaco, subiu para 5,7%, de 5,6%, em linha com os dados preliminares.

As leituras do núcleo persistentemente altas são o motivo pelo qual a maioria das autoridades do BCE já disse que as taxas de juros precisarão continuar subindo, apesar do recorde de 350 pontos-base de alta desde julho passado.

O debate agora parece estar entre um aumento de 25 pontos-base e um aumento de 50 pontos na reunião de 4 de maio, com os dados de inflação de abril, que serão divulgados apenas dois dias antes da decisão, provavelmente sendo o fator determinante.

Por enquanto, os mercados estão inclinados para um movimento menor, mas os investidores ainda veem uma chance em três de que o BCE opte por uma alta maior.

As apostas de que o Banco da Inglaterra também aumentará os juros em maio aumentaram na quarta-feira, depois que o Reino Unido se tornou o na Europa Ocidental a registrar inflação de dois dígitos em março.

O aumento dos juros pelo BCE em maio não deve ser o último, e os mercados agora veem um total de 85 pontos-base de aumentos antes que a taxa de depósito atinja seu pico, ou taxa terminal.

A principal preocupação do BCE é que a inflação de serviços, agora em 5,1%, esteja simplesmente muito rápida e possa sinalizar que os salários estão se tornando um problema importante, já que os preços dos serviços são predominantemente determinados pelos custos trabalhistas.

Outra questão é que a inflação de alimentos continua acelerando e isso tem um impacto desproporcional na percepção inflacionária dos consumidores, podendo alterar o comportamento dos gastos e pressionar as demandas salariais.

A inflação de alimentos não processados subiu para 14,7% no mês passado, de 13,9% em fevereiro.

Os salários estão subindo de 5% a 6% este ano, ainda se recuperando depois que os trabalhadores perderam uma parte de sua renda real para a inflação em 2022. Mas essa taxa é inconsistente com a meta de inflação de 2% do BCE, então a desinflação pode ser dolorosamente lenta.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ibovespa fecha em queda com realização de lucros antes do Carnaval
Dólar sobe ante o real com busca por proteção antes do Carnaval
Ministros suspeitam que reunião sobre Master foi gravada clandestinamente
Wall Street caminha para perdas semanais, com quedas em tecnologia compensando alívio inflacionário
Suzano vai fazer novo reajuste de preços em todos os mercados em março
Chefe da OMC pede reforma do sistema comercial global