Ibovespa sobe após decisão de juros do Fed em dia de elevação de nota pela Fitch

Publicado em 26/07/2023 16:01 e atualizado em 26/07/2023 18:27

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em leve alta nesta quarta-feira, saindo de um recuo marginal após os comentários do Federal Reserve (Fed) e de seu chair, em dia que também teve elevação de nota de crédito do Brasil pela Fitch.

O banco central norte-americano elevou nesta tarde os juros em 0,25 ponto percentual, o que já era esperado, deixando a porta aberta para outra alta. O chair do Fed, Jerome Powell, disse que as decisões serão tomadas a cada reunião de acordo com os dados econômicos.

Eletrobras e Suzano foram destaques entre as contribuições positivas ao índice, bem como Itaú Unibanco e Bradesco, que se fortaleceram no final do pregão. Vale e Petrobras ficaram na ponta oposta.

O Ibovespa teve alta de 0,45%, a 122.560,38 pontos, renovando o maior nível de fechamento em quase dois anos. Na mínima da sessão, o índice caiu a 121.370,43 pontos e, na máxima, subiu a 122.746,72 pontos. O volume financeiro somou 21,9 bilhões de reais.

O índice operou boa parte do pregão em leve queda diante do clima de cautela devido à decisão do Fed, e não sofreu grandes mudanças após a divulgação da decisão e do comunicado, tendo ganhado alguma força, influenciado por Wall Street, apenas durante a coletiva de imprensa de Powell.

Na prática, a decisão e as declarações pouco alteraram o cenário majoritário precificado na curva de juros norte-americana de uma manutenção da taxa em setembro, quando ocorre a próxima reunião. Perto do fechamento, a probabilidade de uma nova alta era de 22%, contra 21% na terça-feira, enquanto há uma semana era de 13,7%, conforme dados do FedWatch, da CME.

Para Anand Kishore, gestor da Daycoval Asset, a leitura preliminar é de uma decisão levemente mais "hawkish" (dura com a inflação), após o Fed descrever um ritmo "moderado" de crescimento da economia, uma ligeira melhora ante o ritmo "modesto" visto pela instituição na reunião de junho.

Do outro lado, Powell disse que a equipe do Fed não prevê mais recessão nos Estados Unidos, o que pode ter ajudado o mercado, segundo o gestor.

Rodrigo Romero, economista da Levante Investimentos, destacou que a decisão e as declarações trouxeram poucas novidades no cenário para a bolsa brasileira. "O comunicado me parece neutro para o Ibovespa, podendo melhorar ou piorar a depender de como virão os próximos dados."

Em Wall Street, os principais índices fecharam com pouca variação, com investidores também repercutindo balanços corporativos de Microsoft e Alphabet e na expectativa por resultados de Meta. O S&P 500 teve variação negativa de 0,02%.

Localmente, a Fitch anunciou pela manhã a elevação da nota de crédito soberano do Brasil a "BB", de "BB-" antes, com perspectiva estável, e atribuiu a mudança a um desempenho macroeconômico e fiscal melhor que o esperado.

"Acho que hoje o mercado ficou dando muito mais valor para a questão do Fed, que é um negócio muito mais global", afirmou Kishore, da Daycoval.

Na agenda corporativa, a Petrobras divulga relatório de produção e vendas, e GPA e Assaí soltam balanços após o fechamento do mercado. Gol publica seus números na manhã de quinta-feira.

DESTAQUES

- SANTANDER BRASIL mostrou variação negativa de 0,34%, a 29,35 reais, após o banco abrir a temporada de balanços para o setor nesta manhã com um lucro líquido de 2,26 bilhões de reais no segundo trimestre, 5,5% maior na comparação com o trimestre anterior, embora quase 45% menor na base anual. O resultado ainda ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. Entre os pares, ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,56%, e BRADESCO PN avançou 1,03%, com forte melhora na última hora de pregão.

- CARREFOUR BRASIL ON disparou 8,09%, a 12,43 reais, mesmo após a varejista registrar queda de 95,2% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre frente a igual período do ano anterior, para 29 milhões de reais, afetado pelo impacto financeiro de sua integração com o BIG. Analistas do Santander avaliaram os resultados como fracos, mas destacaram que tinham expectativas ainda mais baixas. No setor, GPA avançou 0,93% e ASSAÍ ON ganhou 1,58%, antes de divulgarem resultados no fim do dia.

- VALE ON recuou 0,35%, a 71,76 reais, interrompendo sequência de quatro altas seguidas, mesmo após o minério de ferro subir novamente na Ásia com perspectiva de estímulos na China. Em Dalian, o contrato mais negociado para setembro encerrou as negociações diurnas com avanço de 1,8%. A mineradora divulga resultado trimestral na quinta-feira.

- TELEFÔNICA BRASIL subiu 5,12%, a 43,5 reais, após registrar lucro líquido consolidado de 1,12 bilhão de reais no segundo trimestre, alta de 50,3% em comparação com o mesmo período no ano anterior, conforme balanço divulgado na noite da véspera. Analistas, em geral, destacaram fortes resultados. "A empresa bateu nossa expectativa otimista em quase todas as linhas", disse a equipe do BTG. Rival TIM ON ganhou 3,31%.

- PETROBRAS PN fechou estável, a 31 reais, mas ON caiu 0,41%, antes de a petrolífera divulgar relatório de vendas e produção no final do dia. O petróleo Brent cedeu 0,9% no exterior. No setor, PRIO ON avançou 1,4% e 3R PETROLEUM ON ganhou 0,33%.

- COPEL PNB exibiu ganhos de 3,38%, a 8,56 reais, após a companhia lançar nesta manhã a oferta pública de ações que levará à sua privatização, embora tenha alertado que há risco de cancelamento da operação devido a uma decisão pendente do Tribunal de Contas da União (TCU).

- GOL PN subiu 1,58%, a 10,29 reais, antes de divulgar balanço na manhã de quinta-feira.

Fonte: Reuters

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