Atividade econômica perde força no 2º tri mas ainda cresce 0,43%, indica BC

Publicado em 14/08/2023 09:11 e atualizado em 14/08/2023 11:29

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira encerrou o segundo trimestre com crescimento, mas em forte desaceleração em relação ao ritmo visto no início do ano, em meio aos efeitos da política monetária restritiva e do esperado esvaziamento do impulso do setor agrícola, de acordo com dados do Banco Central nesta segunda-feira.

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) avançou 0,63% em junho em relação ao mês anterior, mostrou dado dessazonalizado do indicador, que é um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB).

A leitura do mês foi um pouco melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,60%, e ainda mostrou retomada depois da retração do mês anterior.

O dado de maio foi revisado para mostrar queda de 2,1%, depois de contração de 2,0% informada anteriormente, marcando o segundo mês no vermelho desde o início do ano.

Com isso, o IBC-Br apresentou no segundo trimestre crescimento de 0,43% na comparação com os três primeiros meses do ano, quando registrou avanço de 2,21%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 2,10% em junho, enquanto no acumulado em 12 meses passou a uma alta de 3,35%, de acordo com números observados.

Dados do IBGE mostraram que o PIB do Brasil cresceu 1,9% no primeiro trimestre deste ano, refletindo em grande parte o forte desempenho do setor agrícola.

No entanto, analistas destacam que a contribuição positiva do setor já perdeu força, como era previsto por economistas e pelo próprio governo, e a economia brasileira segue enfrentando os efeitos da política monetária restritiva. O IBGE divulga em 1º de setembro os dados do PIB no segundo trimestre.

Embora o BC tenha reduzido a Selic de 13,75% para 13,25% ao ano no início do mês, na primeira flexibilização na taxa básica de juros em três anos, o nível ainda é elevado e restringe o crédito. Por outro lado, a inflação também perdeu força, e o mercado de trabalho ainda se mantém forte.

"De fato, nossa expectativa é de atividade ainda em desaceleração no segundo semestre, com impacto da maior restrição no crédito devido aos efeitos do aperto monetário em curso. O impacto da queda da Selic só será sentido a partir do 1º semestre de 2024 e ainda de forma lenta, devido à queda moderada na taxa", explicou Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter.

Em junho, o setor industrial brasileiro surpreendeu e registrou alta da produção pelo segundo mês seguido, de 0,1%. O setor de serviços também registrou crescimento, de 0,2%, mas o desempenho foi mais fraco do que o esperado e mostrou forte perda de força.

"Olhando à frente, a grande questão é até onde vai o crescimento do setor de serviços. A sua desaceleração parece certa, mas a grande incerteza reside no seu momento e na sua intensidade", destacou o PicPay em nota assinada pelo economista-chefe Marco Caruso e pelo economista Igor Cadilhac, calculando crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre.

Já as vendas no varejo no Brasil decepcionaram e registraram estabilidade em junho.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que o mercado vê expansão do PIB este ano de 2,29%, desacelerando a 1,30% em 2024.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.

Fonte: Reuters

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