Barra pode estar um pouco mais alta para acelerar corte de juros, diz Campos Neto

Publicado em 28/09/2023 13:01 e atualizado em 28/09/2023 14:37

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira que a barra possivelmente esteja mais alta para o Banco Central considerar acelerar o ritmo de queda dos juros, enfatizando que a autoridade monetária não está confortável com as expectativas de inflação acima das metas estabelecidas.

"Eu diria que a barra talvez esteja ligeiramente um pouco mais alta sim", disse Campos Neto ao ser questionado sobre o assunto em entrevista coletiva.

O presidente do BC disse que "várias coisas ao mesmo tempo" determinam esse cenário. Do lado externo, ele disse que há fatores novos e citou a alta da curva de juros dos Estados Unidos e percepções sobre a mudança do modelo de crescimento da China.

Questionado sobre a chance de o BC, em sentido contrário, reduzir o ritmo de aperto monetário à frente, Campos Neto afirmou que está cedo para falar em um movimento de corte menor, ressaltando que essa é uma questão avaliada em todas as reuniões do Copom e que é necessário monitorar a incerteza no ambiente externo.

Seus comentários vieram depois de o BC ter cortado os juros de 13,25% para 12,75% na semana passada, com a sugestão de que repetirá a mesma dose de flexibilização da Selic nas duas reuniões de política monetária restantes deste ano.

Na entrevista, Campos Neto enfatizou que o BC não está confortável com o fato de as expectativas para a inflação nos próximos anos estarem acima do centro da meta. Ele afirmou que o BC persegue a meta "sempre".

O presidente do BC disse ainda que, no atual momento de incerteza, não haveria ganho se a autoridade monetária indicasse o tamanho previsto para seu ciclo de corte nos juros. Segundo ele, se o cenário ficar mais claro "em algum momento", o BC poderia passar a apresentar essa sinalização.

Em relação às divergências nos debates da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, argumentou que o colegiado segue unânime em sua visão sobre a estratégia para a política monetária.

Sobre a recente desvalorização do real, Campos Neto disse que o movimento está relacionado a uma maior força do dólar, sendo influenciado mais por fatores globais do que locais. Para ele, é importante observar como o nível do câmbio afetará as expectativas para a inflação.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dólar fecha em queda no Brasil, a R$4,8961, em linha com exterior
Ibovespa avança com balanços sob holofote e exterior favorável, mas tem quarta semana negativa
Taxas dos DIs caem acompanhando exterior com dados de emprego dos EUA e guerra no radar
EUA atacam navios do Irã em Ormuz; Teerã fala em ‘confrontos esporádicos’
Produção e vendas de veículos no Brasil recuam em abril ante março
Mudança na formação de preços de energia poderia elevar encargo ao consumidor, diz Engie