Mercados argentinos reabrem com expectativas de ganhos fortes

Publicado em 21/11/2023 08:33

Por Jorge Otaola e Walter Bianchi

BUENOS AIRES (Reuters) - Os mercados financeiros da Argentina retomarão suas atividades nesta terça-feira após a vitória presidencial de Javier Milei e o feriado nacional da véspera, com os investidores preparados para uma firme recuperação dos ativos domésticos em linha com a os ganhos vistos na segunda-feira no exterior.

A alta sólida esperada para as ações e os títulos devido às expectativas animadoras geradas por um novo governo ultraliberal deve ser contrabalançada por uma queda no peso devido à dolarização proposta na campanha pelo economista que venceu as eleições do último domingo.

As ações das empresas argentinas listadas nos Estados Unidos subiram até 40% na segunda-feira lideradas pela empresa petrolífera YPF, e a dívida soberana se recuperou com o otimismo em relação ao novo presidente da terceira maior economia da América Latina, que sofre com uma inflação de três dígitos, uma recessão iminente e o aumento da pobreza.

"A agenda de Milei cria ilusão, há uma visão positiva, embora haja problemas muito difíceis de resolver", disse o analista Marcelo Elizondo. "Os mercados externos endossam o fato de que houve a derrota de uma força (política) que levou ao caos econômico", acrescentou, referindo-se ao peronismo que impulsionou o candidato Sergio Massa.

Analistas do Morgan Stanley previram um ajuste de pelo menos 80% na taxa de câmbio oficial da Argentina em dezembro, após o resultado presidencial nas urnas.

O banco acrescentou que o país provavelmente negociará um novo programa de empréstimo com o Fundo Monetário Internacional "com relativa rapidez" para evitar atrasos com o FMI, com quem tem um programa de empréstimo de 44 bilhões de dólares.

O peso oficial fechou a sexta-feira em 354 por dólar e o peso paralelo "blue" foi negociado a 950 na quinta-feira, o último dia de negócios genuínos nesse mercado influente quando se trata de tomar decisões financeiras. A diferença subiu para 168,4%.

"O presidente eleito terá de dissipar as várias fontes de incerteza que afetam os argentinos. Ele terá de vestir o uniforme de um líder desde o momento zero", disse Pablo Besmedrisnik, diretor e economista da Invenómica.

(Reportagem adicional de Hernán Nessi)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Dia do Agro: bancada articula avanço de projetos estratégicos para o setor produtivo
Dólar à vista fecha em alta de 0,86%, a R$5,0416 na venda
Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar
Vice-presidente dos EUA diz que houve "muito progresso" nas negociações com Irã
PL do Endividamento deverá ser votado nesta 4ª (20) no Senado como primeiro item da pauta
Trump diz que EUA podem atacar Irã novamente, mas que Teerã quer acordo