PIB da China em 2023 mostra recuperação econômica irregular e eleva necessidade de estímulo

Publicado em 17/01/2024 07:31 e atualizado em 17/01/2024 08:44

Por Kevin Yao e Ellen Zhang

PEQUIM (Reuters) - A economia da China cresceu 5,2% em 2023, um pouco mais do que a meta oficial, mas a recuperação foi bem mais frágil do que muitos analistas e investidores esperavam, com o agravamento da crise imobiliária, riscos deflacionários e demanda fraca lançando uma sombra sobre as perspectivas para este ano.

As expectativas de que a segunda maior economia do mundo apresentaria uma forte recuperação pós-Covid rapidamente se dissiparam à medida que o ano avançava, com a fraqueza da confiança dos consumidores e das empresas, o aumento das dívidas dos governos locais e a desaceleração do crescimento global pesando fortemente sobre os empregos, a atividade e o investimento.

"A recuperação da Covid - por mais decepcionante que tenha sido - acabou", de acordo com a última pesquisa do Livro Bege Internacional da China divulgada nesta quarta-feira.

"Qualquer aceleração real (este ano) exigirá uma grande surpresa global positiva ou uma política governamental mais ativa", disse o coletor privado de dados.

Uma série de leituras econômicas nesta quarta-feira sugere que o país perdeu mais impulso a caminho de 2024, apesar de uma enxurrada de medidas de apoio do governo.

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,2% no trimestre entre outubro e dezembro em relação ao ano anterior, mostraram os dados do Escritório Nacional de Estatísticas, acelerando em relação aos 4,9% do terceiro trimestre, mas um pouco abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Reuters.

Na comparação trimestral, entretanto, o PIB cresceu 1,0%, desacelerando em relação a um ganho revisado de 1,5% no trimestre anterior.

Alguns indicadores de dezembro, divulgados juntamente com os dados do PIB, foram mais sombrios, sugerindo que a prolongada crise imobiliária do país está se aprofundando, apesar dos esforços do governo para sustentar o setor.

Outros dados do mês passado mostraram que o crescimento das vendas no varejo desacelerou e o investimento permaneceu morno, com apenas a produção industrial mostrando alguns sinais de melhora.

NA META, MAS INSTÁVEL

Especialistas preveem que Pequim irá manter uma meta de crescimento semelhante de cerca de 5% para este ano, mas analistas dizem que isso pode ser uma tarefa difícil, mesmo com estímulos adicionais.

Problemas cíclicos, como a crise imobiliária, estão colidindo com questões estruturais profundas, como a dependência excessiva de investimentos e infraestrutura impulsionadas por dívidas, em vez de medidas para ampliar e aprofundar o consumo.

O chefe do escritório de estatísticas, Kang Yi, disse em uma coletiva de imprensa em Pequim que o crescimento da China em 2023 foi "duramente conquistado", mas acrescentou que a economia enfrenta um ambiente externo complexo e demanda insuficiente em 2024.

"No momento, o nível da dívida pública e a taxa de inflação do nosso país estão baixos, e a caixa de ferramentas de política monetária está sendo constantemente enriquecida", disse Kang. "As políticas fiscal, monetária e outras têm uma margem de manobra relativamente grande, e há condições e espaço para intensificar a implementação de políticas macro."

(Reportagem adicional de Joe Cash)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Trump diz que EUA ficarão satisfeitos se Irã concordar em não possuir armas nucleares
Nasdaq lidera as perdas nas ações, com petróleo e custos de financiamento no foco
Trump suspende ataque ao Irã enquanto negociações continuam
Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale
Brasil pode realocar fluxos de exportações do agro em meio a acordo EUA-China
Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã