País não têm condições de investir R$17 bi por ano no Perse, diz Haddad

Publicado em 07/02/2024 21:30 e atualizado em 08/02/2024 07:49

 

Por Victor Borges

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira que o governo não tem condições de gastar 17 bilhões de reais ao ano na manutenção do Perse até 2026 e apontou que a pasta investiga suspeitas de irregularidades no programa.

"O país não tem 17 bilhões de reais por ano para investir num programa dessa natureza... Nem era esse o objetivo do próprio Congresso Nacional. O objetivo era dar um benefício de cerca de 4 bilhões por ano. Então, agora tem dois caminhos. Primeiro, investigar o que aconteceu no ano passado e segundo, botar ordem no programa", disse Haddad em entrevista a jornalistas na saída do ministério.

Segundo a Fazenda, o programa custou 17 bilhões de reais para os cofres públicos em isenções em 2023, contra uma estimativa inicial de custo do programa pela pasta de 4 bilhões de reais em renúncias fiscais.

O Perse foi implementado em 2021 como forma de atenuar os efeitos negativos da pandemia de Covid-19 no setor de eventos e turismo por meio, entre outras medidas, da redução a zero das alíquotas de uma série de tributos para empresas dos setores. O programa foi prorrogado pelo Congresso, no ano passado, até 2026.

O governo introduziu o fim gradual do programa até 2025 na mesma medida provisória editada no final do ano passado depois que o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a prorrogação da desoneração da folha de pagamento foi derrubado pelo Congresso. Contudo, a MP tem representando mais um ponto de atrito entre o governo e o Legislativo.

Haddad explicou que, no momento, uma investigação sobre possíveis irregularidades no uso do programa está apenas no âmbito da Receita e depende do fim de uma greve de auditores fiscais para que um relatório sobre o tema seja concluído e apresentado ao público.

Segundo o ministro, a investigação não é uma "caça às bruxas", mas se trata de mostrar que a dimensão atual do programa é insustentável para as contas do governo.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã