China eleva orçamento para estoque de grãos e óleo comestível para melhorar segurança alimentar

Publicado em 05/03/2024 09:29

Por Mei Mei Chu

PEQUIM (Reuters) - A China ampliou drasticamente nesta terça-feira seu orçamento para estocar grãos e óleos comestíveis este ano e intensificou o apoio e as políticas para impulsionar a produção agrícola, dobrando a aposta na melhora da segurança alimentar.

O maior comprador mundial de grãos e sementes oleaginosas quer reduzir sua forte dependência das importações, que chegam a mais de 100 milhões de toneladas por ano, principalmente dos Estados Unidos e do Brasil. As importações agrícolas totais da China totalizaram 234 bilhões de dólares em 2023.

"Esses esforços ajudarão a garantir a renda dos produtores de grãos e motivarão as principais áreas produtoras de grãos a manter o foco na produção de grãos e a explorar ainda mais seu potencial para obter rendimentos mais altos", disse o Ministério das Finanças chinês em um relatório divulgado no início da reunião anual do parlamento da China.

A China gastará 140,63 bilhões de iuanes (19,54 bilhões de dólares) em estoques de grãos, óleos comestíveis e "outros materiais" este ano, um aumento de 8,1% em relação ao ano anterior, segundo o relatório.

"O aumento do orçamento de reserva indica que Pequim continua preocupada com seu suprimento de alimentos e outras matérias-primas importantes", disse Even Pay, analista agrícola da Trivium China.

"Ao manter ou até mesmo aumentar as reservas, a China está procurando estabelecer um piso para sua própria segurança econômica e alimentar, mas às custas de uma intervenção ainda maior nos mercados", disse ela.

A China também informou na terça-feira que alocou 54,5 bilhões de iuanes (7,57 bilhões de dólares) em subsídios para prêmios de seguro agrícola, um aumento de 18,7% em relação ao ano anterior.

O Ministério das Finanças também aumentará o preço mínimo de compra do trigo e expandirá a cobertura de seguro para arroz, trigo e milho em todo o país.

"Como a China tem uma grande população, devemos adotar uma abordagem abrangente para agricultura e alimentação e garantir que o suprimento de alimentos da China permaneça firmemente em nossas próprias mãos", disse o primeiro-ministro Li Qiang em um relatório separado.

Li disse que a China expandirá a produção e o rendimento das culturas de sementes oleaginosas, incluindo soja e colza, enquanto mantém estável a produção de gado e pesca.

Na terça-feira, o planejador estatal da China estabeleceu a meta de uma produção de grãos de mais de 650 milhões de toneladas em 2024, acrescentando que a capacidade geral de produção de grãos deverá crescer de forma constante.

"Haverá progresso constante na nova iniciativa de aumentar a produção de grãos em 50 milhões de toneladas", disse a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC).

Isso inclui aproveitar o progresso do aumento da área cultivada com soja, acelerar a construção de centros nacionais de sementes de soja e apoiar o desenvolvimento de variedades de culturas com alto teor de óleo e alto rendimento, afirmou.

"Transformaremos a agricultura em um importante setor moderno", afirmou o relatório.

O segundo maior produtor de milho do mundo busca continuar aumentando a produção, mesmo após a safra recorde do ano passado de 288,84 milhões de toneladas.

(Reportagem da redação de Pequim; texto de Emily Chow)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã