Receita apresenta nova rodada de renegociações de dívidas tributárias após frustração em 2023

Publicado em 27/03/2024 16:33 e atualizado em 27/03/2024 17:05

BRASÍLIA (Reuters) - A Receita Federal detalhou nesta quarta-feira a rodada de 2024 do programa Litígio Zero, destinado a renegociar dívidas tributárias de pessoas e empresas com oferta de descontos, após registrar no ano passado arrecadação abaixo do projetado inicialmente.

O fisco informou ter mantido para este ano a previsão de obter 31 bilhões de reais em receitas com a recuperação de créditos tributários. No ano passado, o ganho gerado pelo Litígio Zero ficou abaixo de 6 bilhões de reais, ante previsão inicial de arrecadar 50 bilhões de reais.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, argumentou em entrevista à imprensa que o alongamento na tramitação de projetos sobre o tema no Congresso reduziu fortemente o potencial do programa em 2023 e que, considerando o tempo exíguo, o ganho no ano passado é considerado um “estrondoso sucesso”.

“Este programa Litígio Zero 2024 é muito maior que o do ano passado”, afirmou.

A edição deste ano do programa terá prazo para adesão de contribuintes devedores entre 1º de abril e 31 de julho.

A renegociação valerá para pessoas físicas e jurídicas com débito tributário de até 50 milhões de reais em fase administrativa com a Receita. Os descontos podem atingir 100% do valor de juros, multas e encargos.

Em outra frente, a Receita trabalha com foco em grandes teses tributárias, fazendo renegociações específicas com devedores dispostos a quitar débitos relacionados a ações judiciais.

Há ainda a possibilidade de transações individuais negociadas diretamente com o fisco. Neste eixo, Barreirinhas disse que foram concluídas até o momento renegociações que envolvem 5,2 bilhões de reais em dívidas, sendo que 45 milhões de reais entrarão no caixa da Receita neste ano.

O secretário argumentou que o programa ainda está começando e, por isso, não é possível fazer avaliação sobre o valor. Ele afirmou que outras 180 propostas de transações já foram feitas e serão efetivadas nos próximos meses.

Questionado sobre a expectativa de fazer acordos com estatais, principalmente a Petrobras, para turbinar a arrecadação do programa, Barreirinhas disse que até o momento o governo não precisou contar com essas companhias para ter bons resultados. Ele não detalhou se há tratativas com a petroleira.

Na entrevista, o secretário ainda apresentou desafios fiscais para este ano, argumentando que medidas não previstas no Orçamento de 2024 precisarão ser compensadas. Ele citou a correção da tabela do Imposto de Renda e o programa Mover, de estímulo ao setor automotivo, que juntos devem gerar um custo de 6 bilhões de reais no ano.

(Por Bernardo Caram)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã