FMI projeta maior déficit primário e alta da dívida pública no Brasil em 2024

Publicado em 17/04/2024 14:15 e atualizado em 17/04/2024 16:17

 

Por Patricia Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deve registrar déficit primário maior que o esperado este ano e ter aumento da dívida pública bruta na comparação com o ano passado, mostraram projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas nesta quarta-feira.

Segundo o organismo, em seu relatório Monitor Fiscal, a dívida pública bruta do país deve avançar para 86,7% em 2024, de 84,7% do PIB em 2023. Nos anos seguintes, o FMI vê a dívida brasileira alcançando 89,3% do PIB em 2025, e 90,9% em 2026.

O dado é referente ao setor público não financeiro, excluindo a empresa de energia Eletrobras e a estatal Petrobras, e inclui a dívida soberana mantida no balanço do Banco Central.

O déficit primário, por sua vez, deve chegar a 0,6% do PIB este ano -- previsão acima do esperado pelo fundo em outubro passado, de déficit primário de 0,2% --, recuar a 0,3% em 2025 e somente em 2026 atingir o marco zero.

As projeções do FMI são piores do que a meta proposta pelo governo de resultado primário zero para 2025, que gerou temores sobre a questão fiscal no Brasil, dado que a proposta representa uma redução do esforço anunciado anteriormente, que previa superávit de 0,5% do PIB no próximo ano.

Nesta quarta-feira, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, cumprindo agenda em Washington, disse que é preciso entender como a recente mudança na meta fiscal do governo para 2025 afetará a função de reação da autoridade monetária.

O FMI apontou para uma preocupação global com os crescentes gastos fiscais, em um ano em que uma contenção fiscal pode se tornar ainda mais difícil dado o recorde de países realizando eleições em todo o mundo.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street encerra em baixa por crescentes preocupações com inflação
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
Governo revisa regra que exigia publicação das margens de distribuidoras de combustíveis
Wall St cai na abertura com salto de rendimentos por preocupações com a inflação
Dólar supera R$5,05 pressionado por exterior e política local