Bostic diz economia deve estar desacelerando, mas momento de corte de juros pelo Fed segue incerto

Publicado em 10/05/2024 08:13

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - É provável que o banco central dos Estados Unidos continue no caminho certo para reduzir as taxas de juros este ano, mesmo que o momento e a extensão da flexibilização da política monetária sejam incertos e que novas quedas na inflação ocorram apenas lentamente, disse o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, em uma entrevista à Reuters.

"Ainda acredito" que as taxas de juros podem ser reduzidas este ano, apesar de um primeiro trimestre em que o ritmo de aumento dos preços pareceu ficar bem acima da meta de 2% do Fed, disse Bostic em seus primeiros comentários públicos desde a reunião de política monetária do banco central na semana passada.

Conversas com empresas em seu distrito sudeste do Fed indicam que o crescimento dos salários e dos empregos provavelmente desacelerará, disse Bostic, e que a maioria das empresas sente que seu poder de precificação está em declínio após os rápidos aumentos de preços que levaram a inflação a máximas de 40 anos em 2022.

"Há uma expectativa para a maioria dos empregadores com quem converso de que eles voltarão ao crescimento salarial pré-pandêmico", disse Bostic na entrevista de quinta-feira. E, com a possível exceção das empresas de tecnologia, "estamos ouvindo de praticamente todos... que seu poder de fixação de preços está praticamente no limite".

Isso deve preparar o cenário para um maior progresso da inflação ao longo do ano, disse Bostic, e para que o Fed eventualmente comece a flexibilizar a política monetária.

Mas isso pode demorar um pouco. Bostic observou, por exemplo, que embora o crescimento do emprego nos EUA em abril tenha sido mais fraco do que o esperado, a abertura de 175 mil postos de trabalho ainda foi um número forte, que precisa diminuir ainda mais para que ele sinta que é consistente com a meta de inflação do Fed.

"Acho que não saberemos disso por pelo menos alguns meses", disse ele. "Tenho esperança de que continuaremos a ver essa desaceleração, porque minha perspectiva realmente diz que será preciso ver alguma desaceleração para que a inflação volte à nossa meta de 2%... Ainda estamos observando um crescimento robusto do emprego."

Bostic, membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto do banco central, apoiou a decisão tomada na semana passada de manter a taxa de juros básica estável novamente na faixa de 5,25% a 5,50%.

MAIS ALTA POR MAIS TEMPO

Bostic disse que ainda vê a possibilidade de um único corte de juros de 0,25 ponto percentual no final deste ano, e que seu foco agora é menos em quanto a taxa de política monetária pode cair até 2024 e mais em determinar o momento certo para qualquer movimento de queda.

"Teremos de ser pacientes e esperar até que a inflação nos dê sinais de que está se encaminhando de forma mais robusta para 2%", disse ele. "Isso levará algum tempo. Para mim, a questão, ao contrário de quantos este ano, é quando ocorrerá o primeiro."

O chefe do Fed de Atlanta disse que, a essa altura, ele vê a inflação retornando a 2% no final de 2025 ou início de 2026, uma lenta volta ao nível definido pelo Fed de estabilidade de preços que, segundo ele, permitirá que o banco central evite um aumento acentuado do desemprego.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã