Produção industrial da China decepciona, setor imobiliário fica estagnado

Publicado em 17/06/2024 07:31

Por Kevin Yao e Albee Zhang e Ellen Zhang

PEQUIM (Reuters) - A produção industrial de maio da China ficou aquém das expectativas e a desaceleração do setor imobiliário não mostrou sinais de abrandamento apesar de medidas de apoio, aumentando a pressão sobre Pequim para sustentar o crescimento.

Com exceção das vendas no varejo, que superaram as previsões devido a um feriado, a série de dados divulgados nesta segunda-feira foi, em grande parte, pessimista, ressaltando a dificuldade de recuperação para a segunda maior economia do mundo.

A produção industrial de maio cresceu 5,6% em relação ao ano anterior, mostraram os dados do Escritório Nacional de Estatísticas, desacelerando em relação ao ritmo de 6,7% em abril e abaixo das expectativas de um aumento de 6,0% em pesquisa da Reuters com analistas.

Entretanto, as vendas no varejo, um indicador do consumo, aumentaram 3,7% em maio sobre o ano anterior, acelerando em relação ao aumento de 2,3% em abril e marcando o crescimento mais rápido desde fevereiro. Analistas esperavam uma expansão de 3,0% devido a um feriado público de cinco dias no mês.

O investimento em ativos fixos aumentou 4,0% nos primeiros cinco meses de 2024 em relação ao mesmo período do ano anterior, em comparação com as expectativas de um aumento de 4,2%. Ele cresceu 4,2% no período de janeiro a abril.

O investimento em manufatura nos primeiros cinco meses apresentou um crescimento robusto de 9,6%, sustentado pela ênfase da China no "crescimento de qualidade" por meio de avanços tecnológicos e inovação neste ano.

Mas economistas alertaram que as crescentes tensões comerciais com o Ocidente sobre o chamado excesso de capacidade da China podem impor mais desafios aos produtores chineses de veículos elétricos e solares.

O investimento do setor privado cresceu 0,1% de janeiro a maio, abaixo dos 0,3% registrados nos primeiros quatro meses, indicando uma confiança ainda fraca entre as empresas privadas. Em comparação, o investimento no setor estatal aumentou 7,1% nos primeiros cinco meses.

A queda do mercado imobiliário da China, a dívida elevada dos governos locais e a pressão deflacionária continuam a ser grandes empecilhos para a atividade econômica. Os números mais recentes apontam para um crescimento desigual que reforça os pedidos por mais apoio das políticas fiscal e monetária.

A economia da China cresceu 5,3% no primeiro trimestre, mas analistas afirmam que a meta de crescimento anual do governo, de cerca de 5%, é ambiciosa, já que o setor imobiliário continua em baixa.

O investimento em imóveis caiu 10,1% entre janeiro e maio em relação ao ano anterior, aprofundando a queda de 9,8% registrada em janeiro-abril.

Os preços das casas novas caíram 0,7% em maio em relação a abril, marcando o 11º declínio mensal consecutivo e a queda mais acentuada desde outubro de 2014, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados da agência de Estatísticas.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

BC corta Selic em 0,25 ponto para 14% e deixa próximos passos em aberto
Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político
Ibovespa fecha quase estável com Petrobras pressionando antes de decisão do Copom
Houthis do Iêmen dizem ter atacado petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden
Portos de grãos da Argentina operam normalmente após fim de greve
Expectativas sobre Oriente Médio ofuscam queda de SpaceX e AMD e Wall Street abre em alta