Após tocar R$5,70, dólar desacelera com expectativa por atuação do BC

Publicado em 02/07/2024 17:13

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Após ultrapassar a barreira dos 5,70 reais durante o dia, o dólar à vista desacelerou os ganhos na tarde desta terça-feira em meio a rumores nas mesas de operação de que o Banco Central estaria consultando Tesourarias de bancos sobre eventual intervenção no mercado de câmbio.

Ainda assim, a moeda norte-americana à vista terminou a sessão em alta de 0,22%, cotada a 5,6665 reais na venda. Este é o maior valor de fechamento desde 10 de janeiro de 2022, quando terminou em 5,6723 reais. Em 2024, a divisa já acumula elevação de 16,8%.

Às 17h18, na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,10%, a 5,6805 reais na venda.

Pela manhã, antes mesmo da abertura do mercado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista à rádio Sociedade, de Salvador, que faria "alguma coisa" em relação à alta recente do dólar ante o real, evitando detalhar qual medida será tomada "porque senão estarei alertando meus adversários".

Lula afirmou que há atualmente um ataque especulativo ao real, acrescentando que voltará a Brasília na quarta-feira e discutirá o que fazer em relação à alta do dólar. Ele também voltou a criticar o BC, dizendo que a autarquia não pode estar a serviço do sistema financeiro e do mercado.

A fala de Lula passou a pesar sobre os negócios ao longo da manhã e as cotações do dólar ganharam força. Profissionais do mercado afirmaram que a possível intervenção do governo no câmbio gerava receios -- em especial, a possibilidade do uso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para segurar a escalada da moeda norte-americana.

“O ponto do IOF tem efeito contrário, ampliando a fuga de capital. Toda vez que o governo cogita usar o imposto, o que ocorre é a saída de capital para outros países, para paraísos fiscais”, comentou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou no fim da manhã que não há possibilidade de o governo mexer no IOF. Segundo ele, a melhor maneira de conter a desvalorização do real é melhorar a comunicação sobre o arcabouço fiscal e a autonomia do BC.

Apesar da negativa de Haddad sobre o IOF, o dólar ganhou força e foi renovando máximas durante a tarde, com profissionais citando o acionamento de ordens de stop loss (parada de perdas) em alguns pontos, o que ampliou o impulso de alta. No pico do dia, às 14h52, o dólar à vista atingiu 5,7025.

"Quem intervém no câmbio é o BC, não o ministério da Fazenda", comentou no início da tarde Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. "O que o presidente Lula pode fazer no câmbio é tranquilizar o mercado, dizendo que vai cortar gastos. Quando o mercado acredita que o problema é de credibilidade, ações como alterar o IOF são momentâneas", acrescentou.

Na reta final dos negócios o dólar perdeu força e chegou a ceder ante o real, com profissionais do mercado citando rumores de que o BC estaria consultando Tesourarias de bancos para avaliar uma possível operação no câmbio.

Consultas deste tipo são comuns em momentos de maior estresse, como o atual, para que o BC possa medir o apetite do mercado por dólares à vista ou por contratos de swap. A instituição vem repetindo que somente vai intervir no câmbio, promovendo novos leilões de moeda, se perceber disfuncionalidades.

Às 17h15, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,15%, a 105,680.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street encerra em baixa por crescentes preocupações com inflação
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
Governo revisa regra que exigia publicação das margens de distribuidoras de combustíveis
Wall St cai na abertura com salto de rendimentos por preocupações com a inflação
Dólar supera R$5,05 pressionado por exterior e política local