Taxas futuras de juros sobem em dia de pressão para emergentes e receios com área fiscal

Publicado em 23/07/2024 16:49

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Após alívio na sessão anterior, as taxas dos DIs voltaram a ter ganhos fortes nesta terça-feira, superior a 15 pontos-base nos contratos mais longos, com profissionais do mercado citando o persistente desconforto com a área fiscal e a aversão global a ativos de emergentes como fatores para a abertura da curva a termo.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 -- que reflete a política monetária no curtíssimo prazo – estava em 10,675%, ante 10,659% do ajuste anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 11,5%, ante 11,393% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,77%, ante 11,634%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 12,17%, ante 12,016%, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 12,18%, ante 12,019%.

Na segunda-feira as taxas futuras haviam cedido no Brasil na esteira da confirmação de cortes de gastos pelo governo brasileiro e de uma busca global por ativos de maior risco.

O governo confirmou na véspera, por meio do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, a necessidade de um congelamento de 15 bilhões de reais em verbas de ministérios para levar a projeção de déficit primário do governo central em 2024 a 28,8 bilhões de reais, exatamente o limite inferior da margem de tolerância da meta de déficit zero.

Nesta terça-feira os estímulos foram contrários: houve retorno das preocupações com a situação fiscal brasileira e fuga de ativos de emergentes.

“Não vejo nenhum vetor de maior pressão que não seja a preocupação fiscal renovada. A queda das commodities no exterior não ajuda, mas a pressão na curva brasileira hoje é algo nosso”, comentou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

“Ontem até tivemos algum alívio depois do relatório. Mas como não surgiu nenhuma novidade, voltamos a ter alguma pressão nos juros”, acrescentou, lembrando que os investidores estão se posicionando para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), na próxima quinta-feira.

Para o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano, o exterior foi determinante para a abertura da curva brasileira nesta terça-feira.

“O real até que resistiu bem (ante o dólar), mas os emergentes estão sofrendo”, pontuou.

De fato, algumas moedas pares do real, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno, estavam entre as maiores perdas globais ante o dólar, refletindo a aversão a ativos de emergentes.

Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2033 -- um dos longos mais líquidos -- subiu 16 pontos-base ante o ajuste da véspera, para 12,18%.

Perto do fechamento a curva a termo brasileira precificava 86% de chances de manutenção da taxa básica Selic em 10,50% ao ano no fim deste mês e 14% de possibilidade de alta de 25 pontos-base. Na segunda-feira os percentuais eram de 85% e 15%, respectivamente.

A alta das taxas dos DIs ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries estarem em queda, numa sessão marcada pela divulgação de dados fracos do mercado imobiliário norte-americano e por um leilão de títulos curtos nos EUA.

Às 16h38, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,487%. Já o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,245%.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Japão pode não ter entrado no mercado cambial na segunda-feira apesar de alta do iene, sugerem dados do BC
Situação das negociações entre EUA e Irã é incerta após navio ser atingido no Estreito de Ormuz
Ações chinesas sobem com recuperação do setor de IA e de chips
Número de mortos nos terremotos de junho na Venezuela ultrapassa 6.000
Wall St fecha em alta com Dow Jones em recorde por otimismo em torno das negociações com Irã
Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco