Dólar chega a superar os R$5,73 pressionado por exterior e Copom

Publicado em 01/08/2024 14:48

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar renovou máximas ante o real na tarde desta quinta-feira e se mantém acima dos 5,70 reais, com as cotações acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em um dia de aversão generalizada a ativos de maior risco.

Às 14h30, o dólar à vista subia 1,26%, a 5,7268 reais na venda, após ter atingido a máxima de 5,7383 reais (+1,46%) às 14h26. Na B3 o dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,30%, a 5,7475 reais na venda.

O aumento das preocupações com o cenário geopolítico, após o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, ser assassinado na véspera em Teerã, capital do Irã, dava força ao dólar ante as demais divisas globais.

O movimento também encontrava suporte em dados decepcionantes do setor industrial chinês, um dos maiores compradores de commodities do mundo.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/S&P Global para o setor industrial caiu para 49,8 em julho -- abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração -- ante 51,8 no mês anterior. Foi a leitura mais baixa desde outubro do ano passado e ficou abaixo da previsão de 51,5 de analistas.

"O movimento do dólar no Brasil está alinhado com o externo, mas está um pouco mais forte aqui em função de vários fatores", comentou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado.

Segundo ele, ainda que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado na quarta-feira estar preocupado com os efeitos do câmbio e das expectativas sobre a inflação, o colegiado não demonstrou intenção de subir a taxa básica Selic no curto prazo. "Isso é negativo para o real no curto prazo", disse Machado.

Outro fator para a força do dólar ante o real é a percepção entre os investidores de que o BC, por enquanto, não fará intervenções no mercado. A autoridade monetária tem repetido que eventuais intervenções serão feitas apenas em caso de disfuncionalidade do mercado -- e não por conta do nível do câmbio.

Profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, com o dólar próximo dos 5,70 reais, ordens de stop loss (parada de perdas) foram disparadas, amplificando o movimento no câmbio.

No mercado de renda fixa, a curva de juros apresentava um movimento de inclinação: as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo cediam, enquanto as longas subiam. O movimento também era motivado pela leitura de que o Copom não demonstrou intenção de elevar a Selic no curto prazo.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall St fecha em alta com Dow Jones em recorde por otimismo em torno das negociações com Irã
Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco
Ibovespa fecha estável apesar de recuo de Vale e Petrobras; Embraer sobe
Taxas dos DIs caem em dia de recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo
Grupo de 25 Estados dos EUA contesta as tarifas de Trump
Ações europeias iniciam agosto em alta com expectativas sobre EUA e Irã